Este blog é dedicado aos meu amigos e a pessoas que tenham curiosidade de saber como é trabalhar em um cruzeiro.
Postarei aqui todas as minhas descobertas, desde a contratação, treinamentos, dificuldades e claro, diversão a bordo! Espero que curtam!


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sábado, 23 de maio de 2015

Apenas uma noite para se aventurar na China!


Hoje é dia de desembarcar na China, depois de um longo contrato entre Europa, Caribe e Ásia, sim 3 continentes num só contrato, é dia de voltar pra casa, mas com direito de uma pernoite na China com meus melhores amigos. Isso deixa tudo mais excitante!!!

O desembarque na China foi um dos desembarques mais complicados que já tive, acordei às 5 AM para receber meu pagamento e tomar café, saí de minha cabine lá pelas 8 AM e saí do navio lá pelas 11 AM.



Esperamos por mais de 2 horas no terminal esperando a liberação da imigração, uma vez liberados, fomos ao ônibus que nos levaria até o hotel.




Pensei que o hotel ficasse na cidade de Tianjin, então fiz uma busca para ir até a famosa Cidade Proibida, isso me custaria alguns dólares e uma hora e meia de trem, nada mal. Se quisesse ir até a Muralha da China, chegaria em 3 horas. Com todos os destinos impressos no papel, fui ansioso ao hotel, depois de duas horas chegamos ao hotel, ao redor... NADA! O hotel ficava longe demais do centro de Tianjin, bem Pequim ficou só na vontade... Já era tarde demais para ir tão longe sem ao menos falar a língua.



Ao chegar no Hotel tive que esperar até as 5:30 PM para comer, não aguentei e fui com o meu amigo (Herachya) trocar dinheiro, outra burocracia, depois de quase 30 minutos tentando, trocamos, e fomos ao mercado. No meio de pés de galinha como aperitivos e biscoitos de pato, achamos algumas coisas que se adaptaram ao nosso paladar, fomos até o quarto das meninas (Elizabeth e Sylvia).



Estávamos todos famintos e mortos, afinal a festa de despedida foi ótima! Comemos algumas bugigangas voltamos cada um ao seu quarto de hotel para tirarmos uma soneca e arrumarmos para o jantar... 


O jantar foi sensacional, lá pelas 6 PM estávamos com um papelzinho na mão que dizia, estação Tianjin e outro com o endereço do hotel. Fomos sem falar nada mais que Chie Chie (obrigado em chinês). Depois de 1 hora de táxi e 4 dólares por pessoa, chegamos à uma metrópole imensa! Tianjin Luzes, famílias prédios gigantes, um rio que dividia a cidade com pontes maravilhosas, sim estávamos na China, sem saber o que fazer, afinal a nossa pesquisa não foi nada direcionada a Tianjin e sim a Pequim... Bem já que não sabíamos de nada fomos no improviso.



Estávamos com vontade de dançar, comer e beber...

Bem, dançamos na rua, comemos no supermercado, bebemos no taxi de volta para o hotel, mas tivemos um dos melhores momento do nosso contrato. Momentos mágicos no meio de uma cidade desconhecida que se tornou tão aconchegante e divertida sem fazer nada mais que caminhar por algumas horas.



A Elizabeth minha alma gêmea, desembarcou comigo, esse era o nosso terceiro contrato juntos, e ela viajaria mais cedo que nós três amanhã para a Inglaterra... Não sei quando serei capaz de me reencontrar com essa turma novamente, pode ser daqui a 3 meses ou nunca mais, mas tivemos o dia de nossas vidas em Tianjin.

Já o Herachya e a Sylvia ainda temos muito o que fazer, amanhã iremos no mesmo vôo até Hong Kong e teremos 7 horas para desfrutar outra metrópole. Uhuuuuuu

Não vejo a hora de chegar!




Bem fiz um vídeo de hoje, espero que gostem!



Beijos e até a próxima!!!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A VIDA NO OASIS OF THE SEAS


CABINE DE CONTROLE
CADEIRA DO COMANDANTE
Quando recebi o convite de trabalhar no maior navio do mundo, confesso que fiquei um pouco assustado, afinal era O MAIOR!
Pensei em recusar o convite, mas ainda estava em meu terceiro contrato, e a essa altura, recusar não é a melhor das coisas a fazer.
Conversei com meu "activities manager" que já havia feito um contrato no Allure, que é exatamente uma cópia do Oasis, navio que me havia sido oferecido. Ele me explicou como funcionava a cidade flutuante, me encorajou a aceitar o contrato e assim o fiz.

Durante minhas férias pesquisei muito sobre o navio, fiquei simplesmente encantado por pela mistura de tecnologia, conforto e luxo. Mas será que para nós, tripulantes, isso também se repetiria?
Eu sou um amante da minha profissão, não preciso muito de luxo para estar feliz, mas não ficaria nem um pouquinho chateado se isso realmente se repetisse a área da tripulação.
CREW GYM

Dito e feito, ao chegar, já vi que o navio tinha de tudo e mais um pouco.
CREW BAR
refeitório bem completo, que se assemelha com o Windjammer, local que os passageiros comem, academia mais que completa, sala de jogos, três bares, biblioteca, lan house, enfim, muito bom. Temos tudo isso em outros navios, mas no maior do mundo, a escala é proporcional e muito mais requintado.

Agora, como seria o trabalho?!? Também acompanha o tamanho, tudo é muito grandioso, atividades sempre cheias, porém muitos trabalhos secundários também. 

Mas a carga horária de trabalho era quase que semelhante aos outros, apesar de ter fama de ter muito mais trabalho.
CRUISE STAFF TEAM

Somos todos animadores, e nos trabalhos secundários, ficar nas entradas dos teatros, agendar shows, dirigir um bar que sobe e desce ou controlar a multidão faz parte do nosso plano de trabalho.

Eu tive a sorte de ser escolhido como Theme Night Dance Captain, era basicamente responsável pelas aulas de dança e noites temáticas do navio. Isso fazia com que eu não ficasse entediado com as portas e bares flutuantes, hehehehe...

Este vídeo, mostro um pouco de como era meu dia a dia no Oasis, minha cabine, minha maratona diária.

Lá eu dava aulas de salsa, merengue, rumba, latina, cha-cha, Lady Gaga, Michael Jackson, Hair Spray (musical), country, samba e forró, o que a Melissa, antiga Theme Night Dance Captain não me ensinou, tomei aulas particulares com o Youtube, ele é ótimo, por sinal. Além das aulas, era responsável por três noites temáticas, como a festa dos anos 70, Twenty's e Scape, sem contar na assistência ao Activities Manager com a organização das entradas de shows. Além do trabalho como Cruise Staff comum que eram as paradas e apresentar jogos e animações, quando me sobrava tempo.

Espero que gostem!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

LEGEND OF THE SEAS - PRIMEIRO CONTRATO

Bem, faz tanto tempo que eu não escrevo que eu preciso resumir um pouco tudo o que aconteceu nesses últimos 5 meses.

Pois é, do Mariner eu fui transferido para o Legend of the Seas para trabalhar como International Host, o contrato foi sensacional. O Legend é o menor navio da Royal Caribbean com capacidade para 2000 passageiros e média de 700 tripulantes. Lá eu trabalhei como tradutor do Diretor de Cruseiro, Capitão e de todas as atividades a bordo. Trabalhei como um condenado, mas foi simplesmente única a minha estadia.

O LG (Legend) é conhecido como um dos navios mais amistosos da companhia, não tem como negar, lá, trabalhamos felizes, e todos somos amigos.

As pessoas se conhecem pelo nome e não há nenhum tipo de diferença entre tripulantes dentro do navio...

Os novatos aprendem com os mais velhos e assim passa-se a boa maneira de convivência a todos, assim mantém-se a grande família.

Essa era a minha equipe no LG. 

Só pra vocês terem uma noção do quadro, eu estava no Caribe e em uma semana fui transferido para a Ásia (itinerário do LG).

Saí do Caribe de bermuda e camiseta, porém fui transferido para um dos lugares mais frios do japão, Hokkaido.

direita para esquerda cima para baixo: Caroline, Jung, Kitty, Sama (DJ), Linda e eu

O frio foi de matar, não havia trazido roupa de frio, afinal não sou retardado de levar casaco para o Caribe, meu suposto primeiro contrato.

Cheguei por volta das 10 horas da noite numa "overnight" em Hokkaido, quem estava livre saiu para jantar ou balada... 

O navio me pareceu velho e vazio...

O meu supervisor me disse que o time era sensacional composto apenas de mulheres e um DJ, logo me veio o pensamento, FUDEU! 

MULHER+MULHER = CONFUSÃO

Estava completamente errado, a equipe era formada de 4 meninas asiáticas, que viviam uma pela outra e mais um DJ que parecia um fantasma, nunca o encontrava, só de madrugada.

Caroline era a mais descontente com o trabalho, acho que ela não curtia, tinha vergonha de falar no microfone, Jung era a coreana mais doida que eu já conheci, até então era a primeira coreana que havia conhecido, uma figura, ama dançar ritmos latinos e entende muito bem o chinês e o japonês, Kitty a mais experiente das 4 era a mais frágil de todas, se apertasse ela se quebrava todinha, heheheheh, sempre sorrindo foi a minha primeira guia no navio, Linda foi a minha paixão, ela foi a minha companheira para tudo, lavar roupas, bater o ponto (Krono), comprar CUP CAKE, enfim, tudo!!! DJ, Cara quieto porém fantasma, se você o encontrar, ótima conversa!

Além do meu time eu tinha uma companheira indispensável, Mikako (Mika-chan).
Uma japonesa que estava no navio fazendo o mesmo que eu. 
Ela que me ajudava nas palavras que eu não sabia em japonês.

- Eu morei no Japão dos 7 aos 14 anos, depois disso não havia falado nunca mais o idioma. Então meu japonês é de uma criança de 14 anos, muitas palavras que eu não costumava usar, como "IMIGRAÇÃO" e agora eu precisava falar, era a ela que eu recorria.

Mika-chan era encarregada pelas atividades e eu pelo palco e juntos fazíamos todos os dias o Legend Life, programa de televisão interno dedicado ao público japonês.

Nós éramos uma espécie de artistas do navio, já que éramos os únicos que falávamos o japonês. As pessoas queriam tirar fotos com a gente a qualquer custo.

Pra mim o Legend foi um contrato curto, que me fez conhecer países que jamais iria por conta própeia e me proporcionou encontros "legendários". 

Um navio que eu poderia chamar de casa, porque era assim que eu me sentia.

Com essa galera fui para a Coréia, Japão, China, Russia, Taiwan, entre outros. 
Tive a oportunidade de visitar a cidade em que eu vivi quando tinha 7 anos, rever meu primeiro professor do Japão, opa.... Essa história é interessante de ser contada... Lá vai:

Eu estava na minha penúltima semana de Legend conversando com uma passageira, ela me perguntou onde eu tinha vivido, e durante o papo, fiquei sabendo que ela era minha vizinha e que o filho dela havia estudado no mesmo colégio que eu...

Ela me perguntou se eu havia visto meus amigos, porém como eu não sabia que viria para o Japão, eu não havia trazido nenhum número telefônico dos meu colegas  (brasileiros). Dos japoneses eu não tinha, porque isso fazia pelo menos mais de 10 anos e os números haviam mudado.

Disse a ela que não, pois eu até tentei pesquisar pela internet, mas ler japonês não é o meu forte, por isso já havia desistido.

Durante a conversa eu citei o nome do meu professor algumas vezes. Nos despedimos e ela se foi... 

O próximo cruzeiro se inicia, último no Japão, uma garota da recepção me liga dizendo que uma passageira havia deixado um recado pra mim urgente, eu disse que iria buscar, mas acabei me esquecendo, a menina veio até a minha cabine pessoalmente e me entregou o envelope.

No envelope estava escrito: 
"Dear Flavio Maeda, this is the telephone number of your teacher Kuga Kouji"

Eu li e não acreditei, claro que era pegadinha, ela nunca iria achar, eu já havia pesquisado no google e ligado para todos os telefones que eu encontrava e nunca era ele.

Quando chegou a noite, vi aquele envelope na minha escrivaninha e resolvi ligar, uma pessoa atende o telefone, eu sabia que era ele... Ao dizer "Alô" ele me responde "Flávio, é você?"

E eu disse: :espere um pouco, como é que você sabe que sou eu, eu não falo com você há mais de 10 anos?", ele me responde, "sua voz não mudou, e eu estava esperando a sua ligação". 

Ele me explicou que a minha amiga passageira, havia entrado em contato com ele através da Secretaria de Ensino, e explicado pra ele que eu trabalhava em cruzeiro e que adoraria vê-lo, como ela não sabia como entrar em contato comigo, enviou o telefone dele para a Companhia que por sorte chegou em minhas mãos.

Pra mim só me restava uma chance de vê-lo, no último dia do último cruzeiro no Japão. Que eu estava escalado para trabalhar o dia todo. 
Conversei com toda a minha equipe e todos se desdobraram para que o encontro fosse possível, e foi.

Almoçamos, ele me trouxe fotos dos meus amigos do colégio em um pendrive. Foi simplesmente sensacional.

Esse foi o cara que me ensinou as primeiras palavras em japonês.

Um cara apaixonado pelo Brasil, samba e pela sua profissão.

Seu nome Kuga Kouji.

Não tem como dizer que esse contrato não foi o máximo...

Após a temporada japonesa chega o dia da minha despedida.


Esse foi meu último dia no Legend, saí de férias com o novo contrato, o destino seria Oasis of the Seas, o maior navio do mundo.

Deixei meus amigos com o coração na mão. Afinal, essas meninas sempre trabalham na Ásia e eu na Ásia sou uma negação, um zero à esquerda, porque não falo chinês.

A probabilidade de eu reencontrá-las seria quase que nula.

Porém depois de coltar das ferias ao Oasis, o diretor de Cruzeiro do Legend, Dan, me manda um e-mail me dizendo que talvez voltaria ao Legend. Foi um choque de emoções. Fiquei MUITO feliz por ter talvez a oportunidade de voltar àquele navio que um dia foi minha casa, mas por outro lado, com um pouquinho de receio de deixar o Oasis, navio que estava me adaptando com um time excepcional.

Enfim deixei acontecer... 

Resultado foi o melhor possível, mas que eu conto no próximo post... 

Hoje é dia  5 de outubro de 2012, estou no Hotel Marriott em Miami, acabo de voltar do Legend of the Seas - Segundo contrato, e posso afirmar que esse contrato de um mês que eu tive na Ásia foi a melhor coisa que aconteceu pra mim...

Amanhã volto ao Oasis, porém com o coração apertado por ter deixado pessoas maravilhosas do outro lado do mundo.

... continua

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mudanças, novo cargo, novo navio... Despedidas, choros e saudades... De Mariner (E.U.A.) para Legend (Japão)

(texto escrito há um tempinho atras que eu esqueci de publicar!)

Há 3 semanas atrás, um amigo meu comentou a respeito de uma vaga que a Royal havia aberto para Cruise Staff que falam mais de uma língua. A vaga era para International Activities Manager. É um tipo de Gerente de Atividades em outra língua diferente do inglês.

Para o cargo os requisitos eram: falar inglês e mais outra língua, ser Cruise Staff ou DJ, ter mais que um contrato completo, etc.

Eu me interessei pela vaga, porém esse era o meu primeiro contrato, mesmo assim enviei o meu currículo com uma carta de interesse pela vaga, 3 dias depois da data de entrega… (como sempre atrasado e com esperança)

Eles me responderam imediatamente que as vagas já haviam sido preenchidas e agradecendo pelo meu interesse. 

Fiquei muito feliz por ao menos eles terem respondido à minha solicitação e nem um pouco triste com o resultado, afinal, eu nem preenchia os requisitos que eles exigiam. Enfim, foi um tiro no escuro que houve uma pequena repercussão.

Continuei o meu trabalho normalmente e empolgado com o fim do meu contrato após o transatlântico para a Itália. Comecei a contatar meus amigos da Europa dizendo que eu iria perder o vôo de volta para o Brasil e passar duas semanas pelo continente. Avisei minha família, estava tudo programado.

Porém, semana passada, meu Activities Manager (AM) me ligou pedindo que eu me retirasse do ponto de vista dos passageiros porque ele havia uma conversa séria comigo, eu fui ao fundo do palco, já que eu estava no Teatro, e ele me disse:
- Amanhã você terá às 7 da manhã uma conferência entre Singapura e Miami, eles querem que você trabalhe como International Host num navio na Ásia. (International Host é o cara que fica atrás do Diretor de Cruzeiro traduzindo tudo o que ele fala e que comanda atividades em línguas estrangeiras)

Na hora pensei nas minhas férias na Europa bancada pela Royal Caribbean, e retruquei na hora:
- Como assim, semana que vem eu entro de férias, eles estão doidos?

Ele respondeu:
- Não sei o que eles querem, mas se você não quiser a vaga, finja que você não entende japonês.

Eu disse a ele que tudo bem e que falaria com ele mais tarde… Voltei meio que puto pro trabalho… He he he he, eu estava tão empolgado com minha viagem que nem pensei no que acabara de ser proposto, até havia me esquecido do currículo que eu havia mandado pra Miami… 

Enfim, no outro dia, às 7 da manhã, estava eu lá no escritório com meu AM em uma conferência com Miami e Singapura. 

O cara do escritório de Miami, me introduziu aos responsáveis pelas contratações na Ásia e eles começaram a falar num inglês com sotaque típico japonês, na primeira pergunta eu respondi em japonês, e eles me responderam surpresos: 
- O que? Pode ser em japonês?

Começamos a conversar e eles perguntaram o que eu fazia no Mariner of the Seas, navio em que eu me encontrava, eu respondi:
- Sou o tiozinho que fala no microfone!

Eles começaram a rir e a conversa ficou bem informal, perguntaram de minha família o que eu fazia antes de vir pro navio, se eu gostava do que eu havia fazendo e não economizaram elogios ao meu japonês. E por fim, minha idade, eles acharam que eu fosse um tiozinho mesmo, quando disse, eles disseram:
- vc é um menino! Que bom, gente jovem é sempre muito bem vinda!!!

Eles me disseram que a empresa Royal Caribbean só tem 2 Cruise Staff que falam japonês, eu e uma outra menina… (Nossa, tô importante!!!) E que a partir deste mês, por 7 semanas o Legend of the Seas iniciaria sua temporada no Japão.

Quando eles falaram a respeito dos passageiros japoneses que são muito "chatos" e " reclamões", eu disse a eles:
- Tenho em média 3000 passageiros texanos com uma média de idade de 60 anos toda semana, vocês acham que eu não vou dar conta do recado? Passageiro é passageiro em qualquer lugar e os Texanos só tinham fama, porque eu os amo!!! São os mais carinhosos que já tive! Será que não consigo o mesmo com os japoneses também?

Eles riram e concordaram.

Ao finalizar a conferência o escritório de Miami me agradeceu e me disse para começar a empacotar minhas coisas. FUDEU!!!

Há 2 dias atrás eu tinha minhas férias planejadas, agora, fiquei sabendo que em dois dias estarei no Japão por mais 2 meses de contrato. Em uma nova posição, nova tripulação, novo barco, novas funções. Comecei a ficar com um aperto no coração, afinal de contas, havia passado os últimos 6 meses com meus colegas/família/amigos/tripulantes, enfim, tudo junto e bagunçado, e agora tenho que me despedir deles e talvez nunca mais encontrá-los. Isso é FODA! 

Essa é a parte ruim do navio, você conhece pessoas maravilhosas que passam 24 horas por dia com você e um dia, de repente, você tem que se despedir e talvez nunca mais encontrá-lo novamente…

No dia em que eu fiquei sabendo que eu seria transferido, eu fui assistir à última apresentação do meu TWIN Paul.

Ele seria transferido no dia seguinte para um outro navio.
Nós éramos os únicos de rosto asiático no navio e por isso muito confundido. Pessoas me paravam após o show de patinagem no gelo e diziam: - Você estava sensacional no gelo!!! - e eu sempre me explicando, não, é o Paul, meu irmão... O mesmo acontecia com ele quando ele caminhava pelo navio...


Ao voltar da apresentação, eu cheguei para fazer o TRIVIA, jogo de perguntas e respostas, e claro, estava chocado com a última apresentação do meu quase irmão gêmeo e pela notícia que deixaria o navio naquele cruzeiro...
Cheguei, cumprimentei os passageiros e logo vieram as perguntas... - o que aconteceu? / Por que você está assim?...
Eu fui tentar explicar, não deu outra, eu e eles, todos juntos chorando durante uma atividade que eles deveriam estar sorrindo! Pareceu a minha despedida! 

*** Durante um cruzeiro, Existem passageiros que sempre voltam e viram amigos seus, outros que se identificaram bastante com você e vêm para suas atividades só para conversarem com você... Existe um laço de afetividade. 
Eu os trato como se eles fossem da minha família! Como eu gostaria que minha mãe, minha vó ou minha irmã fossem tratadas. E isso dá bem certo! 
A recompensa são essas imagens inesquecíveis em minha vida e quem sabe até na deles!!!

    
Isso é apenas inesquecível! Lembro de cada momento desse! Momentos que ficarão guardados na minha lembrança!

Bem chegou o dia da partida, festa de despedida, choros e mais choros, foi muito difícil me despedir dos meus amigos (família a bordo).
Essa é a minha turma! 
Mariner of the Seas 2011

Esquerda para a direita:

David, o mais velho da turma, estava em seu último contrato.

Steve (Activities Manager), o meu companheiro para todas as horas, me ensinou muita coisa e foi o cara responsável pela minha transferência ter dado certo.

Jimena, a mais nova da turma, porém uma das mais experientes na empresa, minha amiga e cupido latina! Com ela aprendi muito sobre o meu trabalho. Sempre me deu muitas dicas.

Katie, não tenho palavras para descrever essa menina, ela foi a pessoa que eu mais chorei ao me despedir ela era minha irmã, contávamos piada juntos, ela era meu "talking schedule" hehehehe eu não sabia o meu horário e quando eu me perdia, sempre ligava para ela.
Até hoje, como nós dois estamos de férias no momento converso com ela quase que diariamente. Eu a amo!!!

Lee, noivo de Katie, o cara era o mais doido da turma, meu outro irmão. Ele me ensinou as melhores palavras em inglês! Apesar de a Katie sempre ter tido a maior paciência de falar devagar quando eu não entendia as coisas. Ele era o meu companheiro também de perna de pau (Stilts)!
_______________________

Alguns amigos também desembarcaram junto comigo e fomos direto ao aeroporto, meu destino era Hokkaido - Japão.

Detalhe que eu estava saindo de um cruzeiro do Caribe para outro na Ásia, e pra quem não conhece Hokkaido, é o lugar mais frio do Japão. 

Minhas roupas eram todas para o calor do Caribe...
Ao chegar no Japão, a organização japonesa me surpreendeu, tinha pessoa me esperando em cada ponto do aeroporto, me direcionando para o navio!

Cheguei no Legend of the Seas, um navio visivelmente pequeno e um pouquinho mais "idoso" que o Mariner.
No início fiquei bem pensativo e observando tudo, eles não esperavam que eu chegasse direto do aeroporto para o navio, estavam me aguardando para o dia seguinte...

Após passar pela segurança, conheci meu novo Act. Manager (Sunny, um indiano) e fui à sala de Recursos Humanos do navio, recebi minha chave e fui direto para a minha nova cabine.

A cabine estava completamente organizada e limpa! Me assustei, porque eu sou uma pessoa um tanto perdida para viver nessas cabines pequenas... Porém um pouco maior que a cabine do Mariner... Minha cabine era a 4221 e meu companheiro de quarto era o Simone, um dançarino italiano!

Ele não estava lá, como era de costume, sempre estava ensaiando ou na cabine dos seus colegas de trabalho. 
O Simone é um cara muito educado com quem eu me dei muito bem...

Depois de deixar minhas coisas fui conhecendo um a um dos meus próximos companheiros... 

que serão personagens da minha próxima postagem. O que posso dizer pra vocês a respeito da minha nova casa, é que foi tão bom quanto. Diria SENSACIONAL e muito diferente do que eu havia visto no navio anterior.

Nos navios pequenos as pessoas (toda a tripulação) são mais próximos, e 90% da tripulação era asiática. Se no outro navio eu era um dos únicos, aqui eu sou apenas mais um... hehehehe

Mas deixa que isso eu conto na próxima...

Fui!


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Descobrindo Taiwan

Este foi um dia de folga que tive no Legend of the Seas. 
Pois é, o nome do navio mudou, isso porque foi o meu segundo contrato, apesar de já quase estar no terceiro contrato, ainda não tive tempo de falar a respeito da reviravolta que houve quando eu entrei neste navio. Mas isso fica pra outra postagem!


Hoje o assunto é Taiwan!


Num dia de folga resolvi sair para comer e descobrir o que aquela terra tão exótica, ao meu ver, poderia me oferecer.
Para qualquer lugar que eu olhasse, era tudo muito diferente do que eu já havia visto antes.


Uma mistura de China, Japão ou apenas Taiwan.


Templos, comidas típicas, pessoas e claro, muita agitação!


Os países da Ásia me fascinam a cada dia que passo por eles, morei no Japão por sete ano na minha juventude e fui enviado para este navio (Legend of the Seas) para ser um tipo de International Host, eles estavam precisando de gente do entretenimento que falasse japonês, e eu fui pra lá.


Cada porto mais lindo que o outro. A Coréia com sua tecnologia, a China com sua comida apaixonante, Rússia com toda a sua exuberância e claro Taiwan, um país que eu jamais pudesse imaginar como seria, e/ou jamais pisaria se não fosse por esta ocasião ( trabalhar em um cruzeiro)


Fiz um vídeo com cara de matéria para televisão, com "sobe-sons" cabeças e passagens!


Espero que gostem!


É, isso que dá trabalhar em navios, vc conhece o mundo todo ganhando. Muitos dos trabalhos são bem difíceis, pessoas não se adaptam ao enclausuramento, mas se você não se importa em ser do mundo, ENTRE NESSA! EU ASSINO EM BAIXO