Este blog é dedicado aos meu amigos e a pessoas que tenham curiosidade de saber como é trabalhar em um cruzeiro.
Postarei aqui todas as minhas descobertas, desde a contratação, treinamentos, dificuldades e claro, diversão a bordo! Espero que curtam!


Mostrando postagens com marcador Legend of the Seas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Legend of the Seas. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de março de 2013

O MAIOR NAVIO DO MUNDO!?!? PARTE 01


Quando me veio a proposta de trabalhar no maior navio do mundo, confesso que fiquei bem assustado, pensei em recusar o contrato, pensei em pedir outro navio, mas deixei a vida me levar, aceitei o contrato (recebemos o próximo contrato em média duas semanas antes de terminar o contrato vigente, podemos aceitar ou finalizar o contrato com a companhia). 





Tive dois meses e meio de férias entre um e outro contrato, malas prontas, bora pra Miami.



Um beijo em todos da família e até daqui 6 meses!




O OASIS OF THE SEAS parte de Ft. Lauderdale - FL., ao chegar em Miami, após fazer check in no hotel, fui fazer umas compras, e ali descobri que 99% das pessoas que eu encontrei, falavam espanhol. Sim, são cubanos naturalizados americanos que estão por toda parte. Depois de 3 meses falando japonês todos os dias, pensei que seria minha chance de relembrar o inglês, diria que deu pra treinar o meu espanhol por lá... E olha lá! ehehehehe



7 horas da manhã do outro dia e eu e meu macaquinho já estava acordado, de café da manhã tomado e esperando o ônibus que me levaria para o porto. 

Não conhecia ninguém da equipe que aguardava pelo mesmo comigo. Não conversei com ninguém, fiquei só analisando cada um deles. Sou um ser tímido ao primeiro contato, acreditem ou não.


Escutei pessoas falando em português, um rapaz e uma garota, Jardel e Fernanda, ambos Guest Service, puxei um papo rápido com os dois, mas eles "bufaram" pra mim, a Fernanda estava embarcando no Oasis pela primeira vez, já o Jardel era veterano do gigante. Ele estava tirando todas as dúvidas dela, que eram MUITAS. Quem dera eu ter alguém do meu setor para tirar dúvidas...
Os dois não pararam de conversar os 40 minutos de trajeto de Miami a Ft. Lauderdale. 

De longe avistamos o navio, sim ele se destacava dos outros que estavam ao seu redor. Meuuuu, era grande!

Passamos pela segurança do porto, demos os documentos, tiramos foto para o crachá, e direto a uma sala de espera ainda no porto. (procedimento padrão que muitas vezes acontece dentro do navio)

Nessa salinha esperei por mais ou menos uma hora, chega a Julie, uma inglesa que conhecia muito bem o navio, ela me passou o que seria meu contrato, exatamente com essas palavras.
- Você veio pra ser Cruise Staff? Você gosta de apresentar game shows, trivias, falar no microfone? Eu disse: - sim, essa é nossa profissão, não é? Pois é, aqui você faz muito "doors" (trabalho de porteiro nas entradas de shows), "doors", "doors" e se sobra tempo um trivia por semana. É bem diferente dos navios pequenos. 
Daí em diante ela continuou falando mas eu entrei no meu mundo "autista" via a boca dela mexendo e imaginando o que seria do meu contrato!!!

Bem, um dos gerentes da divisão de cruzeiro chegou para buscar a gente e levar para o nosso gerente. Éramos em 3, Eu, Julie e Krysten, uma americana que faria parte da equipe dos DramWorks. 
Patrício, meu gerente era um brasileiro de cabelos negros, aparentemente gente boa, que a princípio só falava inglês, por conta disso demorou para eu reconhecê-lo como brasileiro. A Julie conhecia o navio como a palma da mão dela, por isso foi sozinha para sua cabine, fomos deixar a Krysten em sua cabine e após levá-la, ele começou a falar em português comigo, levei um susto, nessa hora relaxei. O cara era uma das pessoas mais educadas com quem eu trabalhei até hoje.
O Patrício me deixou no meu quarto, me avisou a respeito do primeiro treinamento que eu teria, e disse para eu me organizar, que depois do almoço ele me ligaria para darmos uma volta pelo navio. 
Larguei minhas malas no meio da cabine e imediatamente fui andar pelo tal gigante em busca de uma pessoa. Lisa, uma austríaca que havia conhecido no meu primeiro contrato e que estaria trabalhando lá, mal eu sabia que encontrar uma pessoa dentro daquele navio, era como "encontrar uma agulha num palheiro", sorte ou não, a primeira pessoa com quem me deparo foi ela, saindo do refeitório e andando pela I-95 (rua principal que liga a proa até a popa do navio, presente em todos os navios da Royal Caribbean).


Lógico que o tour pelo navio foi com a Lisa, ela me mostrou todos os cantos do navio, confesso que não lembro de nada que ela me mostrou, aliás só fui me localizar no navio por volta de um mês depois trabalhando, mas tudo era muito limpo, perfeito e parecia sensacional. Pedi a ela que me levasse a minha cabine, porque não fazia idéia de onde era, e o Patrício havia ficado de me ligar. 
Outra grande surpresa, Lisa era minha vizinha.

Sempre que tínhamos tempo, ficávamos conversando até 2 ou 3 da madrugada sentados desse jeito no corredor.

Primeiro semana de trabalho, basicamente foi banhada de treinamentos e tentando conhecer o navio que tem 7 bairros. Sim, é tão grande que foi dividido em bairros para ser mais fácil de se locomover. 



Logo, Melissa, a "Theme Night Captain" (TNC), pessoa responsável pelas noites temáticas e danças no navio, me perguntou se eu gostaria de assumir a posição dela, já que ela sairia em breve.
Seria um tipo de trabalho extra, você exerce uma função e recebe por isso. Eu achei muito interessante, principalmente por ter direito a uma cabine só pra mim, minúscula, porém minha.
Aceitei o convite e ela começou a me treinar para a posição. 
O trabalho como TNC era totalmente o oposto do que a Julie havia me dito a respeito do Oasis, resumia-se em aulas de dança, e festas... WOW, isso seria sensacional.

Estava em minha primeira semana de contrato, a equipe era sensacional, formada por 10 integrantes mais o DJ, era um time mais experiente e unido. 

Comecei a realmente trabalhar no maior navio do mundo, a Melissa começou a me passar a parte burocrática do TNC, e eu comecei a desconstruir o monstro que havia criado em minha mente a respeito do Oasis...

Quando num belo dia, o Diretor de Cruzeiro do Legend of the Seas, último navio em que trabalhei na temporada asiática, passou a me escrever dizendo que eu teria que voltar ao à Ásia. Fiquei bem confuso, agora que estava me acostumando com aquela loucura, teria que ir ao Japão?!? Maravilhoso, porque eu viria todos meus amigos, no melhor navio que já havia trabalhado, mas um pouco triste ter que deixar aquela turma que me acolheu tão bem... 
Fui direto ao escritório falar com o Patrício, ele me informou que sabia de nada a esse respeito, escreveu para a agendadora, tampouco ela sabia. Mas "Dan", o Diretor de Cruzeiro do Legend, me escrevia todos os dias como que se fosse certo, quando no final de semana veio a confirmação do meu novo destino. no meio do próximo cruzeiro eu partiria em direção a Tóquio. 
O time ficou bem chateado, pelo menos é o que eles me mostraram, hehehehehe, eu comecei a fazer as malas, mas para ter certeza que eu voltaria deixei uma mala cheia no Oasis, assim, eu teria certeza de que voltaria. Afinal a temporada japonesa não passava de duas semanas. levei a menor mala possível,, só com meus uniformes, uma calça jeans, duas bermudas e duas camisetas. (que por sinal, é o que necessitamos durante um contrato inteiro de 6 meses, eu até reduziria a uma bermuda).

Desci em St. Thomas e fui num vôo quase que direto a Tóquio. cheguei no Japão às duas da tarde, e o navio partiria às quatro... em duas horas depois que o avião aterrissou, acreditem ou não, eu estava no navio.

A sensação foi a melhor que já senti, desde a segurança do porto, até a do navio, todos eles me dando boas vindas ao pequeno e aconchegante Legend. 
Eu estava de volta a Yokohama, cidade em que eu cresci e tive os melhores momentos de minha vida. 


Ao entrar no navio, não tive tempo nem tempo de ir ao meu quarto para deixar as malas, encontrei meu uniforme, e fui direto ao trabalho, onde me troquei? No "backstage do Anchor's Away Lounge" e fui direto ao "Sail Away party". Foi lá que encontrei Jung, Linda, e todos os outros Cruise Staff...


Esse pequeno contrato foi sensacional, no âmbito profissional e pessoal.
Foi uma pequena temporada que hoje posso dizer, exite um Flavio antes e depois do Legend of the Seas parte 2!



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

LEGEND OF THE SEAS - PRIMEIRO CONTRATO

Bem, faz tanto tempo que eu não escrevo que eu preciso resumir um pouco tudo o que aconteceu nesses últimos 5 meses.

Pois é, do Mariner eu fui transferido para o Legend of the Seas para trabalhar como International Host, o contrato foi sensacional. O Legend é o menor navio da Royal Caribbean com capacidade para 2000 passageiros e média de 700 tripulantes. Lá eu trabalhei como tradutor do Diretor de Cruseiro, Capitão e de todas as atividades a bordo. Trabalhei como um condenado, mas foi simplesmente única a minha estadia.

O LG (Legend) é conhecido como um dos navios mais amistosos da companhia, não tem como negar, lá, trabalhamos felizes, e todos somos amigos.

As pessoas se conhecem pelo nome e não há nenhum tipo de diferença entre tripulantes dentro do navio...

Os novatos aprendem com os mais velhos e assim passa-se a boa maneira de convivência a todos, assim mantém-se a grande família.

Essa era a minha equipe no LG. 

Só pra vocês terem uma noção do quadro, eu estava no Caribe e em uma semana fui transferido para a Ásia (itinerário do LG).

Saí do Caribe de bermuda e camiseta, porém fui transferido para um dos lugares mais frios do japão, Hokkaido.

direita para esquerda cima para baixo: Caroline, Jung, Kitty, Sama (DJ), Linda e eu

O frio foi de matar, não havia trazido roupa de frio, afinal não sou retardado de levar casaco para o Caribe, meu suposto primeiro contrato.

Cheguei por volta das 10 horas da noite numa "overnight" em Hokkaido, quem estava livre saiu para jantar ou balada... 

O navio me pareceu velho e vazio...

O meu supervisor me disse que o time era sensacional composto apenas de mulheres e um DJ, logo me veio o pensamento, FUDEU! 

MULHER+MULHER = CONFUSÃO

Estava completamente errado, a equipe era formada de 4 meninas asiáticas, que viviam uma pela outra e mais um DJ que parecia um fantasma, nunca o encontrava, só de madrugada.

Caroline era a mais descontente com o trabalho, acho que ela não curtia, tinha vergonha de falar no microfone, Jung era a coreana mais doida que eu já conheci, até então era a primeira coreana que havia conhecido, uma figura, ama dançar ritmos latinos e entende muito bem o chinês e o japonês, Kitty a mais experiente das 4 era a mais frágil de todas, se apertasse ela se quebrava todinha, heheheheh, sempre sorrindo foi a minha primeira guia no navio, Linda foi a minha paixão, ela foi a minha companheira para tudo, lavar roupas, bater o ponto (Krono), comprar CUP CAKE, enfim, tudo!!! DJ, Cara quieto porém fantasma, se você o encontrar, ótima conversa!

Além do meu time eu tinha uma companheira indispensável, Mikako (Mika-chan).
Uma japonesa que estava no navio fazendo o mesmo que eu. 
Ela que me ajudava nas palavras que eu não sabia em japonês.

- Eu morei no Japão dos 7 aos 14 anos, depois disso não havia falado nunca mais o idioma. Então meu japonês é de uma criança de 14 anos, muitas palavras que eu não costumava usar, como "IMIGRAÇÃO" e agora eu precisava falar, era a ela que eu recorria.

Mika-chan era encarregada pelas atividades e eu pelo palco e juntos fazíamos todos os dias o Legend Life, programa de televisão interno dedicado ao público japonês.

Nós éramos uma espécie de artistas do navio, já que éramos os únicos que falávamos o japonês. As pessoas queriam tirar fotos com a gente a qualquer custo.

Pra mim o Legend foi um contrato curto, que me fez conhecer países que jamais iria por conta própeia e me proporcionou encontros "legendários". 

Um navio que eu poderia chamar de casa, porque era assim que eu me sentia.

Com essa galera fui para a Coréia, Japão, China, Russia, Taiwan, entre outros. 
Tive a oportunidade de visitar a cidade em que eu vivi quando tinha 7 anos, rever meu primeiro professor do Japão, opa.... Essa história é interessante de ser contada... Lá vai:

Eu estava na minha penúltima semana de Legend conversando com uma passageira, ela me perguntou onde eu tinha vivido, e durante o papo, fiquei sabendo que ela era minha vizinha e que o filho dela havia estudado no mesmo colégio que eu...

Ela me perguntou se eu havia visto meus amigos, porém como eu não sabia que viria para o Japão, eu não havia trazido nenhum número telefônico dos meu colegas  (brasileiros). Dos japoneses eu não tinha, porque isso fazia pelo menos mais de 10 anos e os números haviam mudado.

Disse a ela que não, pois eu até tentei pesquisar pela internet, mas ler japonês não é o meu forte, por isso já havia desistido.

Durante a conversa eu citei o nome do meu professor algumas vezes. Nos despedimos e ela se foi... 

O próximo cruzeiro se inicia, último no Japão, uma garota da recepção me liga dizendo que uma passageira havia deixado um recado pra mim urgente, eu disse que iria buscar, mas acabei me esquecendo, a menina veio até a minha cabine pessoalmente e me entregou o envelope.

No envelope estava escrito: 
"Dear Flavio Maeda, this is the telephone number of your teacher Kuga Kouji"

Eu li e não acreditei, claro que era pegadinha, ela nunca iria achar, eu já havia pesquisado no google e ligado para todos os telefones que eu encontrava e nunca era ele.

Quando chegou a noite, vi aquele envelope na minha escrivaninha e resolvi ligar, uma pessoa atende o telefone, eu sabia que era ele... Ao dizer "Alô" ele me responde "Flávio, é você?"

E eu disse: :espere um pouco, como é que você sabe que sou eu, eu não falo com você há mais de 10 anos?", ele me responde, "sua voz não mudou, e eu estava esperando a sua ligação". 

Ele me explicou que a minha amiga passageira, havia entrado em contato com ele através da Secretaria de Ensino, e explicado pra ele que eu trabalhava em cruzeiro e que adoraria vê-lo, como ela não sabia como entrar em contato comigo, enviou o telefone dele para a Companhia que por sorte chegou em minhas mãos.

Pra mim só me restava uma chance de vê-lo, no último dia do último cruzeiro no Japão. Que eu estava escalado para trabalhar o dia todo. 
Conversei com toda a minha equipe e todos se desdobraram para que o encontro fosse possível, e foi.

Almoçamos, ele me trouxe fotos dos meus amigos do colégio em um pendrive. Foi simplesmente sensacional.

Esse foi o cara que me ensinou as primeiras palavras em japonês.

Um cara apaixonado pelo Brasil, samba e pela sua profissão.

Seu nome Kuga Kouji.

Não tem como dizer que esse contrato não foi o máximo...

Após a temporada japonesa chega o dia da minha despedida.


Esse foi meu último dia no Legend, saí de férias com o novo contrato, o destino seria Oasis of the Seas, o maior navio do mundo.

Deixei meus amigos com o coração na mão. Afinal, essas meninas sempre trabalham na Ásia e eu na Ásia sou uma negação, um zero à esquerda, porque não falo chinês.

A probabilidade de eu reencontrá-las seria quase que nula.

Porém depois de coltar das ferias ao Oasis, o diretor de Cruzeiro do Legend, Dan, me manda um e-mail me dizendo que talvez voltaria ao Legend. Foi um choque de emoções. Fiquei MUITO feliz por ter talvez a oportunidade de voltar àquele navio que um dia foi minha casa, mas por outro lado, com um pouquinho de receio de deixar o Oasis, navio que estava me adaptando com um time excepcional.

Enfim deixei acontecer... 

Resultado foi o melhor possível, mas que eu conto no próximo post... 

Hoje é dia  5 de outubro de 2012, estou no Hotel Marriott em Miami, acabo de voltar do Legend of the Seas - Segundo contrato, e posso afirmar que esse contrato de um mês que eu tive na Ásia foi a melhor coisa que aconteceu pra mim...

Amanhã volto ao Oasis, porém com o coração apertado por ter deixado pessoas maravilhosas do outro lado do mundo.

... continua

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mudanças, novo cargo, novo navio... Despedidas, choros e saudades... De Mariner (E.U.A.) para Legend (Japão)

(texto escrito há um tempinho atras que eu esqueci de publicar!)

Há 3 semanas atrás, um amigo meu comentou a respeito de uma vaga que a Royal havia aberto para Cruise Staff que falam mais de uma língua. A vaga era para International Activities Manager. É um tipo de Gerente de Atividades em outra língua diferente do inglês.

Para o cargo os requisitos eram: falar inglês e mais outra língua, ser Cruise Staff ou DJ, ter mais que um contrato completo, etc.

Eu me interessei pela vaga, porém esse era o meu primeiro contrato, mesmo assim enviei o meu currículo com uma carta de interesse pela vaga, 3 dias depois da data de entrega… (como sempre atrasado e com esperança)

Eles me responderam imediatamente que as vagas já haviam sido preenchidas e agradecendo pelo meu interesse. 

Fiquei muito feliz por ao menos eles terem respondido à minha solicitação e nem um pouco triste com o resultado, afinal, eu nem preenchia os requisitos que eles exigiam. Enfim, foi um tiro no escuro que houve uma pequena repercussão.

Continuei o meu trabalho normalmente e empolgado com o fim do meu contrato após o transatlântico para a Itália. Comecei a contatar meus amigos da Europa dizendo que eu iria perder o vôo de volta para o Brasil e passar duas semanas pelo continente. Avisei minha família, estava tudo programado.

Porém, semana passada, meu Activities Manager (AM) me ligou pedindo que eu me retirasse do ponto de vista dos passageiros porque ele havia uma conversa séria comigo, eu fui ao fundo do palco, já que eu estava no Teatro, e ele me disse:
- Amanhã você terá às 7 da manhã uma conferência entre Singapura e Miami, eles querem que você trabalhe como International Host num navio na Ásia. (International Host é o cara que fica atrás do Diretor de Cruzeiro traduzindo tudo o que ele fala e que comanda atividades em línguas estrangeiras)

Na hora pensei nas minhas férias na Europa bancada pela Royal Caribbean, e retruquei na hora:
- Como assim, semana que vem eu entro de férias, eles estão doidos?

Ele respondeu:
- Não sei o que eles querem, mas se você não quiser a vaga, finja que você não entende japonês.

Eu disse a ele que tudo bem e que falaria com ele mais tarde… Voltei meio que puto pro trabalho… He he he he, eu estava tão empolgado com minha viagem que nem pensei no que acabara de ser proposto, até havia me esquecido do currículo que eu havia mandado pra Miami… 

Enfim, no outro dia, às 7 da manhã, estava eu lá no escritório com meu AM em uma conferência com Miami e Singapura. 

O cara do escritório de Miami, me introduziu aos responsáveis pelas contratações na Ásia e eles começaram a falar num inglês com sotaque típico japonês, na primeira pergunta eu respondi em japonês, e eles me responderam surpresos: 
- O que? Pode ser em japonês?

Começamos a conversar e eles perguntaram o que eu fazia no Mariner of the Seas, navio em que eu me encontrava, eu respondi:
- Sou o tiozinho que fala no microfone!

Eles começaram a rir e a conversa ficou bem informal, perguntaram de minha família o que eu fazia antes de vir pro navio, se eu gostava do que eu havia fazendo e não economizaram elogios ao meu japonês. E por fim, minha idade, eles acharam que eu fosse um tiozinho mesmo, quando disse, eles disseram:
- vc é um menino! Que bom, gente jovem é sempre muito bem vinda!!!

Eles me disseram que a empresa Royal Caribbean só tem 2 Cruise Staff que falam japonês, eu e uma outra menina… (Nossa, tô importante!!!) E que a partir deste mês, por 7 semanas o Legend of the Seas iniciaria sua temporada no Japão.

Quando eles falaram a respeito dos passageiros japoneses que são muito "chatos" e " reclamões", eu disse a eles:
- Tenho em média 3000 passageiros texanos com uma média de idade de 60 anos toda semana, vocês acham que eu não vou dar conta do recado? Passageiro é passageiro em qualquer lugar e os Texanos só tinham fama, porque eu os amo!!! São os mais carinhosos que já tive! Será que não consigo o mesmo com os japoneses também?

Eles riram e concordaram.

Ao finalizar a conferência o escritório de Miami me agradeceu e me disse para começar a empacotar minhas coisas. FUDEU!!!

Há 2 dias atrás eu tinha minhas férias planejadas, agora, fiquei sabendo que em dois dias estarei no Japão por mais 2 meses de contrato. Em uma nova posição, nova tripulação, novo barco, novas funções. Comecei a ficar com um aperto no coração, afinal de contas, havia passado os últimos 6 meses com meus colegas/família/amigos/tripulantes, enfim, tudo junto e bagunçado, e agora tenho que me despedir deles e talvez nunca mais encontrá-los. Isso é FODA! 

Essa é a parte ruim do navio, você conhece pessoas maravilhosas que passam 24 horas por dia com você e um dia, de repente, você tem que se despedir e talvez nunca mais encontrá-lo novamente…

No dia em que eu fiquei sabendo que eu seria transferido, eu fui assistir à última apresentação do meu TWIN Paul.

Ele seria transferido no dia seguinte para um outro navio.
Nós éramos os únicos de rosto asiático no navio e por isso muito confundido. Pessoas me paravam após o show de patinagem no gelo e diziam: - Você estava sensacional no gelo!!! - e eu sempre me explicando, não, é o Paul, meu irmão... O mesmo acontecia com ele quando ele caminhava pelo navio...


Ao voltar da apresentação, eu cheguei para fazer o TRIVIA, jogo de perguntas e respostas, e claro, estava chocado com a última apresentação do meu quase irmão gêmeo e pela notícia que deixaria o navio naquele cruzeiro...
Cheguei, cumprimentei os passageiros e logo vieram as perguntas... - o que aconteceu? / Por que você está assim?...
Eu fui tentar explicar, não deu outra, eu e eles, todos juntos chorando durante uma atividade que eles deveriam estar sorrindo! Pareceu a minha despedida! 

*** Durante um cruzeiro, Existem passageiros que sempre voltam e viram amigos seus, outros que se identificaram bastante com você e vêm para suas atividades só para conversarem com você... Existe um laço de afetividade. 
Eu os trato como se eles fossem da minha família! Como eu gostaria que minha mãe, minha vó ou minha irmã fossem tratadas. E isso dá bem certo! 
A recompensa são essas imagens inesquecíveis em minha vida e quem sabe até na deles!!!

    
Isso é apenas inesquecível! Lembro de cada momento desse! Momentos que ficarão guardados na minha lembrança!

Bem chegou o dia da partida, festa de despedida, choros e mais choros, foi muito difícil me despedir dos meus amigos (família a bordo).
Essa é a minha turma! 
Mariner of the Seas 2011

Esquerda para a direita:

David, o mais velho da turma, estava em seu último contrato.

Steve (Activities Manager), o meu companheiro para todas as horas, me ensinou muita coisa e foi o cara responsável pela minha transferência ter dado certo.

Jimena, a mais nova da turma, porém uma das mais experientes na empresa, minha amiga e cupido latina! Com ela aprendi muito sobre o meu trabalho. Sempre me deu muitas dicas.

Katie, não tenho palavras para descrever essa menina, ela foi a pessoa que eu mais chorei ao me despedir ela era minha irmã, contávamos piada juntos, ela era meu "talking schedule" hehehehe eu não sabia o meu horário e quando eu me perdia, sempre ligava para ela.
Até hoje, como nós dois estamos de férias no momento converso com ela quase que diariamente. Eu a amo!!!

Lee, noivo de Katie, o cara era o mais doido da turma, meu outro irmão. Ele me ensinou as melhores palavras em inglês! Apesar de a Katie sempre ter tido a maior paciência de falar devagar quando eu não entendia as coisas. Ele era o meu companheiro também de perna de pau (Stilts)!
_______________________

Alguns amigos também desembarcaram junto comigo e fomos direto ao aeroporto, meu destino era Hokkaido - Japão.

Detalhe que eu estava saindo de um cruzeiro do Caribe para outro na Ásia, e pra quem não conhece Hokkaido, é o lugar mais frio do Japão. 

Minhas roupas eram todas para o calor do Caribe...
Ao chegar no Japão, a organização japonesa me surpreendeu, tinha pessoa me esperando em cada ponto do aeroporto, me direcionando para o navio!

Cheguei no Legend of the Seas, um navio visivelmente pequeno e um pouquinho mais "idoso" que o Mariner.
No início fiquei bem pensativo e observando tudo, eles não esperavam que eu chegasse direto do aeroporto para o navio, estavam me aguardando para o dia seguinte...

Após passar pela segurança, conheci meu novo Act. Manager (Sunny, um indiano) e fui à sala de Recursos Humanos do navio, recebi minha chave e fui direto para a minha nova cabine.

A cabine estava completamente organizada e limpa! Me assustei, porque eu sou uma pessoa um tanto perdida para viver nessas cabines pequenas... Porém um pouco maior que a cabine do Mariner... Minha cabine era a 4221 e meu companheiro de quarto era o Simone, um dançarino italiano!

Ele não estava lá, como era de costume, sempre estava ensaiando ou na cabine dos seus colegas de trabalho. 
O Simone é um cara muito educado com quem eu me dei muito bem...

Depois de deixar minhas coisas fui conhecendo um a um dos meus próximos companheiros... 

que serão personagens da minha próxima postagem. O que posso dizer pra vocês a respeito da minha nova casa, é que foi tão bom quanto. Diria SENSACIONAL e muito diferente do que eu havia visto no navio anterior.

Nos navios pequenos as pessoas (toda a tripulação) são mais próximos, e 90% da tripulação era asiática. Se no outro navio eu era um dos únicos, aqui eu sou apenas mais um... hehehehe

Mas deixa que isso eu conto na próxima...

Fui!


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Descobrindo Taiwan

Este foi um dia de folga que tive no Legend of the Seas. 
Pois é, o nome do navio mudou, isso porque foi o meu segundo contrato, apesar de já quase estar no terceiro contrato, ainda não tive tempo de falar a respeito da reviravolta que houve quando eu entrei neste navio. Mas isso fica pra outra postagem!


Hoje o assunto é Taiwan!


Num dia de folga resolvi sair para comer e descobrir o que aquela terra tão exótica, ao meu ver, poderia me oferecer.
Para qualquer lugar que eu olhasse, era tudo muito diferente do que eu já havia visto antes.


Uma mistura de China, Japão ou apenas Taiwan.


Templos, comidas típicas, pessoas e claro, muita agitação!


Os países da Ásia me fascinam a cada dia que passo por eles, morei no Japão por sete ano na minha juventude e fui enviado para este navio (Legend of the Seas) para ser um tipo de International Host, eles estavam precisando de gente do entretenimento que falasse japonês, e eu fui pra lá.


Cada porto mais lindo que o outro. A Coréia com sua tecnologia, a China com sua comida apaixonante, Rússia com toda a sua exuberância e claro Taiwan, um país que eu jamais pudesse imaginar como seria, e/ou jamais pisaria se não fosse por esta ocasião ( trabalhar em um cruzeiro)


Fiz um vídeo com cara de matéria para televisão, com "sobe-sons" cabeças e passagens!


Espero que gostem!


É, isso que dá trabalhar em navios, vc conhece o mundo todo ganhando. Muitos dos trabalhos são bem difíceis, pessoas não se adaptam ao enclausuramento, mas se você não se importa em ser do mundo, ENTRE NESSA! EU ASSINO EM BAIXO