Este blog é dedicado aos meu amigos e a pessoas que tenham curiosidade de saber como é trabalhar em um cruzeiro.
Postarei aqui todas as minhas descobertas, desde a contratação, treinamentos, dificuldades e claro, diversão a bordo! Espero que curtam!


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segunda-feira, 7 de março de 2016

AS FÉRIAS DE TRIPULANTE

Viajamos o mundo todo, descemos nos mesmos várias vezes, o suficiente pra conhecermos pelo menos ao redor do porto muito bem, sabemos onde comer a melhor pizza em Nápoles, a melhor praia em Fiji, ou onde ver cangurus em Brisbane. Conhecemos os transportes públicos e até somos fregueses assíduo de motoqueiros no Vietnam.


E a pergunta que não cala, qual é o lugar que você mais gosta? Sinceramente, não sei! Hoje eu já conheço 63 países, amo quase que a maioria deles. Viveria em vários, mas não consigo dizer qual é o meu favorito. Em cada parte do mundo tive a oportunidade de ter um gostinho do que cada cultura me oferece e amo todas.

Nós basicamente passamos o ano viajando (trabalhando) e as férias em casa! 
Espere aí, EM CASA?! Não!!! 
Férias foram feitas para viajar, por isso, viajamos novamente. 

Todo final de contrato, gasto o dobro de internet no navio (que não é barato), cerca de 60 dólares para 500 minutos de internet, para planejar minhas próximas férias.

Neste verão não foi diferente, fiz a mesma coisa, comecei a buscar fotos na internet de lugares paradisíacos, e me deparei com esta imagem:
Lago Bled, na Eslovênia. Aeroporto mais perto: Lubljana (capital da Eslovênia).

Fui e comprei a passage para passar 20 dias na Eslovênia, fechei um Hostel e contei meus planos para alguns amigos do face.

Não deu 1 dia, duas amigas entraram em contato, dizendo que estariam de férias e que uma morava na Eslovênia e a outra na Áustria. Me informando que eu ficaria na casa delas.

Primeiro para a minha ignorância, não havia nem pesquisado onde ficava a Eslovênia, nem sabia que a Áustria era logo acima. Eu estava preso a esta linda imagem do google.

Achei um absurdo uma amiga da austríaca vir me buscar no aeroporto de outro país de carro para me levar a sua casa, mas aceitei o gentil convite.

Entramos no carro, e ela me pergunta, quer jantar na Itália?
Eu: O QUE? Você está louca? Você já me veio buscar de carro, e quer me levar para outro país? Não, vamos a sua casa, você não vai gastar nada. Então ela me levou para a sua casa. Demorou 40 minutos para chegarmos à Villach, basicamente dirigimos de um país ao outro, num tempo que eu chegaria da minha casa ao centro da cidade num dia comum em São Paulo (Trânsito). Detalhe, a Itália ficava há 30 minutos dali. hahahahaha 

Passei 10 dias na Austria e 10 na Eslovênia.

Foram 20 dias atravessando o País, rodei a Áustria inteirinha com a Lisa, a coisa mais linda desse mundo, uma ex Youth Staff, que eu trabalhei no meu 1º e 3º contrato (Mariner of the Seas e Oasis of the Seas). Éramos grudados, sentávamos no corredor até de madrugada para ficarmos conversando. 

Me hospedei em sua casa, conheci seus pais, sua mãe é uma fofa toda tímida, seu pai um comédia, com um ótimo gosto musical. 
Do Brasil eu trouxe tanto para a Lisa quanto para a Misha (amiga eslovena) um 2 pacotes de massa para pão de queijo e uma cachaça.
No almoço na casa dos pais da Lisa fizemos o Pão de queijo, a mãe dela amou, e queria importar a massa. Não é que ela achou um lugar que entregasse na sua casa? Cada dia fomos a um lugar, o tempo foi maravilhoso, sol todos os dias, fomos a castelos, lagos, parques...
Em Salzburg conheci a casa do Mozart, tomei o seu licor, comi muito chocolate... Fiz compras, etc.
Durante toda a minha estadia na Áustria, fui banhado de café, vinho e comidas maravilhosas, e claro uma bebida muito gentil chamada "Rôla", sim isso mesmo, eu fiz a mesma cara quando a mãe dela me perguntou: você quer tomar uma rola? Eu não a respondi na hora, só depois que eu descobri quer era um suco de flores. 
Eu tomei e amei a "rôla" ou melhor suco de "elder-flower" ou em portugues, flor do sabugueiro... (sabugueiro... rôla... ts ts ts)

Eu fazia comida japonesa e ela cozinhava comidas típicas da Áustria, que troca interessante, não?

Enfim, resolvi fazer um dos vídeos na Áustria quando fomos para Carinthia, em um parque que eu nem vou me arriscar a soletrar, vocês virão no vídeo, o tamanho do palavrão.

Espero que gostem:
Depois de uma encantadora passagem com a Lisa pela Áustria, chegou a hora de dar tchau, e ir para a Eslovênia, país que decidiu a minha viagem. 

Meu destino era Bled. Misha ficou de me encontrar na estação de trem, depois de 40 minutos de trem cortando os Alpes, chego a uma cidadezinha minúscula, e toda jeitosa.

Lá estava Misha com o carro de sua mãe, toda atrapalhada e cheia de flores no cabelo.
Trabalhei com a Misha no Rhapsody of the Seas e passeávamos pelo Alaska (WOW), a nossa equipe foi a mais unida em que eu trabalhei, todos trabalhando como um time, ou melhor uma família. Não havia melhor nem pior, éramos os melhores juntos! Eu, Ibby, Patricia, Rina e Misha... Saudades...

E lá estava a poeta, cantora, bailarina, linda, Misha.
Entramos no carro e fomos direto a Bled, lugar mágico assim como na foto. 

Um lago com uma pequena ilha no meio, dentro desta ilha uma capela, ao lado do lago num pico um castelo, tudo isso rodeado de verde.
Vejam a foto que EU tirei com o meu celular:

Já instalados no hostel, no qual ficaríamos por 3 dias, fomos ao castelo, de lá tive uma visão maravilhosa do entardecer do lago. Tudo parecia um quadro, não me parecia real.

Mas sim, era tudo mais que real e melhor em cores e ao vivo. O tempo não estava limpo, o que deu um toque charmoso àquela cidade. 

Fomos a um café e ela me apresentou o que eu chamo de "perfeição", a Kremšnite (Cremixita). Uma massa folhada polvilhada com açúcar recheada com creme de baunilha e chantilly, coisa dos Deuses. Eu devo ter comido uns 10 pedaços durante minha viagem, e não vejo a hora de voltar para comer novamente. Sim sou gordo mesmo!!!

Depois de me entuchar de Kremšnite, resolvemos queimar calorias, alugamos um barco a remo e fomos remar pelo lago, fomos até a igrejinha no lá no meio, parecia tão perto, mas que lugar longe quando se vai remando...

Os dias passaram voando, entre um café, 5 Kremšnite, e uma taça de vinho, saimos de Bled, e fomos à capital da Eslovênia, Lubljana (Lubliana). 
Em tamanho, é comparável a Campinas, grande, porém pequena, com um castelo imenso e um rio cortando a cidade, Lubljana se mostra muito charmosa e com muita ente bonita.
Assim como a Lisa, Misha resolveu me levar para passear e conhecer o país inteiro, que não deve ser maior que o estado do Rio de Janeiro. 
Conheci o lindo litoral (único) chamado Piran. Lá almoçamos e nos divertimos pela cidade com uma pitada italiana, já pertenceu à Áustria, Itália e após a 2ª Guerra Mundial passou a ser de propriedade da Eslovênia (nossa fui fundo)...

Enfim, é lindo e gostoso de passear por lá.

Resolvemos fazer um vídeo num Castelo muito charmoso com um nome bem difícil de se soletrar também...

O vídeo começa com eu e a Misha no carro, a Misha como toda mulher que se presa, não presta tanto atenção no trânsito, mas eu voltei vivo para contar a história que vivi nestes 20 dias de Europa.

Espero que também gostem ;)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

LEGEND OF THE SEAS - PRIMEIRO CONTRATO

Bem, faz tanto tempo que eu não escrevo que eu preciso resumir um pouco tudo o que aconteceu nesses últimos 5 meses.

Pois é, do Mariner eu fui transferido para o Legend of the Seas para trabalhar como International Host, o contrato foi sensacional. O Legend é o menor navio da Royal Caribbean com capacidade para 2000 passageiros e média de 700 tripulantes. Lá eu trabalhei como tradutor do Diretor de Cruseiro, Capitão e de todas as atividades a bordo. Trabalhei como um condenado, mas foi simplesmente única a minha estadia.

O LG (Legend) é conhecido como um dos navios mais amistosos da companhia, não tem como negar, lá, trabalhamos felizes, e todos somos amigos.

As pessoas se conhecem pelo nome e não há nenhum tipo de diferença entre tripulantes dentro do navio...

Os novatos aprendem com os mais velhos e assim passa-se a boa maneira de convivência a todos, assim mantém-se a grande família.

Essa era a minha equipe no LG. 

Só pra vocês terem uma noção do quadro, eu estava no Caribe e em uma semana fui transferido para a Ásia (itinerário do LG).

Saí do Caribe de bermuda e camiseta, porém fui transferido para um dos lugares mais frios do japão, Hokkaido.

direita para esquerda cima para baixo: Caroline, Jung, Kitty, Sama (DJ), Linda e eu

O frio foi de matar, não havia trazido roupa de frio, afinal não sou retardado de levar casaco para o Caribe, meu suposto primeiro contrato.

Cheguei por volta das 10 horas da noite numa "overnight" em Hokkaido, quem estava livre saiu para jantar ou balada... 

O navio me pareceu velho e vazio...

O meu supervisor me disse que o time era sensacional composto apenas de mulheres e um DJ, logo me veio o pensamento, FUDEU! 

MULHER+MULHER = CONFUSÃO

Estava completamente errado, a equipe era formada de 4 meninas asiáticas, que viviam uma pela outra e mais um DJ que parecia um fantasma, nunca o encontrava, só de madrugada.

Caroline era a mais descontente com o trabalho, acho que ela não curtia, tinha vergonha de falar no microfone, Jung era a coreana mais doida que eu já conheci, até então era a primeira coreana que havia conhecido, uma figura, ama dançar ritmos latinos e entende muito bem o chinês e o japonês, Kitty a mais experiente das 4 era a mais frágil de todas, se apertasse ela se quebrava todinha, heheheheh, sempre sorrindo foi a minha primeira guia no navio, Linda foi a minha paixão, ela foi a minha companheira para tudo, lavar roupas, bater o ponto (Krono), comprar CUP CAKE, enfim, tudo!!! DJ, Cara quieto porém fantasma, se você o encontrar, ótima conversa!

Além do meu time eu tinha uma companheira indispensável, Mikako (Mika-chan).
Uma japonesa que estava no navio fazendo o mesmo que eu. 
Ela que me ajudava nas palavras que eu não sabia em japonês.

- Eu morei no Japão dos 7 aos 14 anos, depois disso não havia falado nunca mais o idioma. Então meu japonês é de uma criança de 14 anos, muitas palavras que eu não costumava usar, como "IMIGRAÇÃO" e agora eu precisava falar, era a ela que eu recorria.

Mika-chan era encarregada pelas atividades e eu pelo palco e juntos fazíamos todos os dias o Legend Life, programa de televisão interno dedicado ao público japonês.

Nós éramos uma espécie de artistas do navio, já que éramos os únicos que falávamos o japonês. As pessoas queriam tirar fotos com a gente a qualquer custo.

Pra mim o Legend foi um contrato curto, que me fez conhecer países que jamais iria por conta própeia e me proporcionou encontros "legendários". 

Um navio que eu poderia chamar de casa, porque era assim que eu me sentia.

Com essa galera fui para a Coréia, Japão, China, Russia, Taiwan, entre outros. 
Tive a oportunidade de visitar a cidade em que eu vivi quando tinha 7 anos, rever meu primeiro professor do Japão, opa.... Essa história é interessante de ser contada... Lá vai:

Eu estava na minha penúltima semana de Legend conversando com uma passageira, ela me perguntou onde eu tinha vivido, e durante o papo, fiquei sabendo que ela era minha vizinha e que o filho dela havia estudado no mesmo colégio que eu...

Ela me perguntou se eu havia visto meus amigos, porém como eu não sabia que viria para o Japão, eu não havia trazido nenhum número telefônico dos meu colegas  (brasileiros). Dos japoneses eu não tinha, porque isso fazia pelo menos mais de 10 anos e os números haviam mudado.

Disse a ela que não, pois eu até tentei pesquisar pela internet, mas ler japonês não é o meu forte, por isso já havia desistido.

Durante a conversa eu citei o nome do meu professor algumas vezes. Nos despedimos e ela se foi... 

O próximo cruzeiro se inicia, último no Japão, uma garota da recepção me liga dizendo que uma passageira havia deixado um recado pra mim urgente, eu disse que iria buscar, mas acabei me esquecendo, a menina veio até a minha cabine pessoalmente e me entregou o envelope.

No envelope estava escrito: 
"Dear Flavio Maeda, this is the telephone number of your teacher Kuga Kouji"

Eu li e não acreditei, claro que era pegadinha, ela nunca iria achar, eu já havia pesquisado no google e ligado para todos os telefones que eu encontrava e nunca era ele.

Quando chegou a noite, vi aquele envelope na minha escrivaninha e resolvi ligar, uma pessoa atende o telefone, eu sabia que era ele... Ao dizer "Alô" ele me responde "Flávio, é você?"

E eu disse: :espere um pouco, como é que você sabe que sou eu, eu não falo com você há mais de 10 anos?", ele me responde, "sua voz não mudou, e eu estava esperando a sua ligação". 

Ele me explicou que a minha amiga passageira, havia entrado em contato com ele através da Secretaria de Ensino, e explicado pra ele que eu trabalhava em cruzeiro e que adoraria vê-lo, como ela não sabia como entrar em contato comigo, enviou o telefone dele para a Companhia que por sorte chegou em minhas mãos.

Pra mim só me restava uma chance de vê-lo, no último dia do último cruzeiro no Japão. Que eu estava escalado para trabalhar o dia todo. 
Conversei com toda a minha equipe e todos se desdobraram para que o encontro fosse possível, e foi.

Almoçamos, ele me trouxe fotos dos meus amigos do colégio em um pendrive. Foi simplesmente sensacional.

Esse foi o cara que me ensinou as primeiras palavras em japonês.

Um cara apaixonado pelo Brasil, samba e pela sua profissão.

Seu nome Kuga Kouji.

Não tem como dizer que esse contrato não foi o máximo...

Após a temporada japonesa chega o dia da minha despedida.


Esse foi meu último dia no Legend, saí de férias com o novo contrato, o destino seria Oasis of the Seas, o maior navio do mundo.

Deixei meus amigos com o coração na mão. Afinal, essas meninas sempre trabalham na Ásia e eu na Ásia sou uma negação, um zero à esquerda, porque não falo chinês.

A probabilidade de eu reencontrá-las seria quase que nula.

Porém depois de coltar das ferias ao Oasis, o diretor de Cruzeiro do Legend, Dan, me manda um e-mail me dizendo que talvez voltaria ao Legend. Foi um choque de emoções. Fiquei MUITO feliz por ter talvez a oportunidade de voltar àquele navio que um dia foi minha casa, mas por outro lado, com um pouquinho de receio de deixar o Oasis, navio que estava me adaptando com um time excepcional.

Enfim deixei acontecer... 

Resultado foi o melhor possível, mas que eu conto no próximo post... 

Hoje é dia  5 de outubro de 2012, estou no Hotel Marriott em Miami, acabo de voltar do Legend of the Seas - Segundo contrato, e posso afirmar que esse contrato de um mês que eu tive na Ásia foi a melhor coisa que aconteceu pra mim...

Amanhã volto ao Oasis, porém com o coração apertado por ter deixado pessoas maravilhosas do outro lado do mundo.

... continua