Este blog é dedicado aos meu amigos e a pessoas que tenham curiosidade de saber como é trabalhar em um cruzeiro.
Postarei aqui todas as minhas descobertas, desde a contratação, treinamentos, dificuldades e claro, diversão a bordo! Espero que curtam!


Mostrando postagens com marcador Entrevista Royal Caribbean. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Entrevista Royal Caribbean. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de abril de 2016

SER UM YOUTH STAFF NA ROYAL CARIBBEAN


 
Olá pessoal, hoje falarei de um assunto um pouco diferente, porém englobarei um assunto geral, aplicação, apesar de já ter falado sobre o assunto no blog, isso foi há 5 anos, então provavelmente algumas coisas possam ter mudado, por isso, bora falar novamente.

O assunto principal veio de um seguidor do meu blog chamado Rudolph, ele me chegou com umas 200 perguntas porque estava aplicando para a posição, eu fiz respondi o que pude e com um trabalho de pesquisa que ele lançou no “Crew Life” resolvi colocar tudo em um post... :) Valeu galera do “Crew Life”

Bem primeiramente, vamos falar o que é ser um Youth Staff (monitor infantil), são aqueles anjos que amam criança e tenham paciência de cuidar dos filhos dos outros... (perceberam que eu não curto crianças, né?)

Mas não basta apenas amar crianças para aplicar para a posição, assim como Sports Staff (monitor esportivo) você precisa ter um curso universitário para a posição. Qualquer um na área da educação, já para esporte na área esportiva. É a primeira coisa que eles vão checar, para nursery, você precisa ter um curso para cuidar de bebê, este curso é dado a quem se interessa pela posição em Miami, a companhia paga o curso, passagem e estadia, normalmente agendado enquanto você está embarcado, basta se informar com o seu gerente, Adventure Ocean Manager.

Para aplicar, existe um site da Royal

http://www.royalcareersatsea.com/



Parte triste:

[Aqui você pode aplicar para qualquer posição a bordo, muitas infelizmente o encaminharão para as agências, ou a agência, que toma conta de um milhão de pessoa e você passa a ser apenas um número. Eu apliquei direto, mas meu contato saiu da empresa, então não tenho mais o e-mail. :(

As agências ganham para colocar você na empresa, muitas vezes te oferecem um curso desnecessário, tipo agência de modelo, para te enganar, e tomar o seu dinheiro, infelizmente isso é Brasil... Por isso, verifique se o curso que você está fazendo é necessário mesmo ou apenas um engana trouxa.

Na Royal você precisa fazer, se for brasileiro, o STCW. Eles vão te dar o curso novamente a bordo e de graça, mas é uma lei da marinha brasileira que cada tripulante brasileiro tenha que fazer este curso em terras brasileiras, aí se vão uns 1000 reais...]

Voltando... Aplicar para Youth Staff, DJ, Cruise Staff ou Sport Staff talvez não seja tão rápido quanto aplicar para posições de crew como bar, restaurante ou limpeza. A resposta é simples, número de vagas por setores.


Nós (Staff) ganhamos salários fixos, diferentemente do Bar, Restautante e Housekeeping que recebe por gorjeta e tem um mínimo BEM BAIXO. Eles normalmente têm um salário mais alto que o nosso (mas dependendo do itinerário, eles se dão bem mal) por isso precisam sempre pagar as passagens de volta para o navio . Staff paga apenas a primeira passagem aérea de ida, e para o resto da sua vida no navio, eles bancarão todas as outras passagens. (Se você desistir, eles não perdem dinheiro com você) Você pode comprá-la com recursos próprios, ou a empresa compra e você tem que pagá-la a bordo, num período estimado por cada navio, direto ao Financial Controller.
Na hora da entrevista seja profissional, bem vestido, camisa social e gravata não é exagerar, barba bem feita, e maquiagem leve para as mulheres, você está em busca de um emprego, e mostrar que você teve ao menos o trabalho de preparar o ambiente e sua aparência é o mínimo para mostrar seriedade, eu digo ambiente, porque a entrevista é feita por Skype, então mova móveis, mande a família sair para tomar um café na casa da vó, e que o local esteja bem iluminado e silencioso. Basicamente não cague! RS Ah, você não verá o rosto da pessoa, somente ela poderá ver você, isso foi o maior choque que tive na entrevista... Mas, eles foram muito legais, pacientes, para posições específicas bem técnicos (restaurante, bar, dj), sabem que você está nervoso, mas não demonstre nervosismo. Hehehehe

Internet estável é bom e eles gostam... Ou seja, vivo 2MB pega mal, rs

A data e horário da entrevista é agendada por e-mail, eu estava pronto há mais de meia hora antes, como eles agendam com alguns candidatos ao mesmo tempo, pode ser que aconteça antes ou depois do horário agendado, pra mim foram os 15 minutos mais demorados da minha vida.

Entrevista é 100% em inglês, para posições em que você vá ter contato direto com o passageiro Guest Service, Cruise Staff, Sports Staff ou Youth Staff, inglês fluente indispensável, para outras, é bom sobreviver, o inglês na Royal é a primeira língua e obrigatória, o que você tiver de extra, é melhor, eu falo japonês e espanhol, isso me dá direito de fazer todos os itinerários que a Royal abrange (Já fiz todos em 5 anos) aliás, menos o itinerário brasileiro.

Curiosidades: para 2017 a Royal não terá temporada brasileira, por vários motivos que eu não vou discutir aqui e perder o foco.Isso não quer dizer que você não tenha chance de entrar, a Royal não faz Índia nem Filipinas como itinerário fixo, mas é a maior nacionalidade abordo. Você apenas não terá que ficar num navio cheio de brasileiros. Acho que é bom...

Se você for reprovado, você terá duas opções, aplicar para outra posição, ou se preparar melhor e aplicar novamente, se a agência te reprovar, aplique direto na empresa, não se deixe abalar… :)

Uma das perguntas de Rudolph foi a de quanto tempo demoraria do cadastro ate a primeira entrevista, segundo a Nathalia Marques do Crew Life a resposta foi "Atualmente demora em média 10 -15 dias para a cia mandar o convite da entrevista preliminar qdo o processo é feito direto pelo site no caso ⚓️” a minha demorou uma semana, e me deram um mês para a minha contratação, tempo de fazer exames médicos e STCW.

Youth Staff tem um contrato menor que os outros, 5 meses, sendo que no primeiro você tem uma primeira avaliação aos 30 dias e outra aos 90 para ser um empregado contratado pela Royal, se você fizer merda nesse período, ou não demonstrar interesse, você poderá ser enviado para casa, lembre-se que você está aprendendo e a trabalho, quando você entender o ambiente aí você relaxa.

Nós, Youth Staff, Cruise Staff, Sport Staff e DJ, possuimos 2 stripes, o que te dá direito a algumas regalias, como ir ao Spa, Bares, Restaurantes, piscinas, Spa, ou seja Guest Area. Isso é prático.

Na Royal a diferença entre crew e staff é quase nenhuma em área de crew, poucos navios ainda continuam com o formato antigo de Crew Mess e Staff Mess (discriminação desnecessária), porém nos navios mais novos ou menores, não existe nenhuma diferença, somos todos família.  :)

Cabines, normalmente e dividida em 2 pessoas, nunca ouvi falar em mais pessoas dividindo a mesma cabine na Royal, algumas pessoas podem ter uma cabine single shares, são cabines individuais, porém menores, só existem em navios novos da classe Oasis e Quantum, eu mostro a minha cabine num post anterior sobre Vida de Cruise Staff.

Todos nós tripulantes temos 100% de cobertura sobre saúde, medicamentos e tratamentos todos dados abordo, sendo que oftalmo, óculos e lentes ficam por conta do tripulante assim como odontologia. Se, por má sorte, sofre um acidente a bordo e você fique inválido por um período, a empresa pagará o seu tratamento e um salário simbólico, um pouco menor do que o seu salário abordo. Muitas vezes o tratamento é feito no porto mais próximo com estrutura necessária, saídas para médicos especialistas também são cobertos em terra firme. Segundo Djiulli Beumer do "Crew Life” tempo máximo de 4 meses.

Bem, espero que eu tenha tirado um pouco das dúvidas, obrigado em especial ao Rudolph e ao “Crew Life” por me ajudar neste post.

E uma dica bem pessoa, entre na posição em que você quer exercer, não desista ou mude sua opção, lá dentro é sim possível de mudar, mas ninguém te ajuda, e se você entra na posição certa, sua vida a bordo é muito mais gratificante, e talvez você possa tornar esta aventura em uma carreira de sucesso.

FUI!



segunda-feira, 7 de março de 2016

AS FÉRIAS DE TRIPULANTE

Viajamos o mundo todo, descemos nos mesmos várias vezes, o suficiente pra conhecermos pelo menos ao redor do porto muito bem, sabemos onde comer a melhor pizza em Nápoles, a melhor praia em Fiji, ou onde ver cangurus em Brisbane. Conhecemos os transportes públicos e até somos fregueses assíduo de motoqueiros no Vietnam.


E a pergunta que não cala, qual é o lugar que você mais gosta? Sinceramente, não sei! Hoje eu já conheço 63 países, amo quase que a maioria deles. Viveria em vários, mas não consigo dizer qual é o meu favorito. Em cada parte do mundo tive a oportunidade de ter um gostinho do que cada cultura me oferece e amo todas.

Nós basicamente passamos o ano viajando (trabalhando) e as férias em casa! 
Espere aí, EM CASA?! Não!!! 
Férias foram feitas para viajar, por isso, viajamos novamente. 

Todo final de contrato, gasto o dobro de internet no navio (que não é barato), cerca de 60 dólares para 500 minutos de internet, para planejar minhas próximas férias.

Neste verão não foi diferente, fiz a mesma coisa, comecei a buscar fotos na internet de lugares paradisíacos, e me deparei com esta imagem:
Lago Bled, na Eslovênia. Aeroporto mais perto: Lubljana (capital da Eslovênia).

Fui e comprei a passage para passar 20 dias na Eslovênia, fechei um Hostel e contei meus planos para alguns amigos do face.

Não deu 1 dia, duas amigas entraram em contato, dizendo que estariam de férias e que uma morava na Eslovênia e a outra na Áustria. Me informando que eu ficaria na casa delas.

Primeiro para a minha ignorância, não havia nem pesquisado onde ficava a Eslovênia, nem sabia que a Áustria era logo acima. Eu estava preso a esta linda imagem do google.

Achei um absurdo uma amiga da austríaca vir me buscar no aeroporto de outro país de carro para me levar a sua casa, mas aceitei o gentil convite.

Entramos no carro, e ela me pergunta, quer jantar na Itália?
Eu: O QUE? Você está louca? Você já me veio buscar de carro, e quer me levar para outro país? Não, vamos a sua casa, você não vai gastar nada. Então ela me levou para a sua casa. Demorou 40 minutos para chegarmos à Villach, basicamente dirigimos de um país ao outro, num tempo que eu chegaria da minha casa ao centro da cidade num dia comum em São Paulo (Trânsito). Detalhe, a Itália ficava há 30 minutos dali. hahahahaha 

Passei 10 dias na Austria e 10 na Eslovênia.

Foram 20 dias atravessando o País, rodei a Áustria inteirinha com a Lisa, a coisa mais linda desse mundo, uma ex Youth Staff, que eu trabalhei no meu 1º e 3º contrato (Mariner of the Seas e Oasis of the Seas). Éramos grudados, sentávamos no corredor até de madrugada para ficarmos conversando. 

Me hospedei em sua casa, conheci seus pais, sua mãe é uma fofa toda tímida, seu pai um comédia, com um ótimo gosto musical. 
Do Brasil eu trouxe tanto para a Lisa quanto para a Misha (amiga eslovena) um 2 pacotes de massa para pão de queijo e uma cachaça.
No almoço na casa dos pais da Lisa fizemos o Pão de queijo, a mãe dela amou, e queria importar a massa. Não é que ela achou um lugar que entregasse na sua casa? Cada dia fomos a um lugar, o tempo foi maravilhoso, sol todos os dias, fomos a castelos, lagos, parques...
Em Salzburg conheci a casa do Mozart, tomei o seu licor, comi muito chocolate... Fiz compras, etc.
Durante toda a minha estadia na Áustria, fui banhado de café, vinho e comidas maravilhosas, e claro uma bebida muito gentil chamada "Rôla", sim isso mesmo, eu fiz a mesma cara quando a mãe dela me perguntou: você quer tomar uma rola? Eu não a respondi na hora, só depois que eu descobri quer era um suco de flores. 
Eu tomei e amei a "rôla" ou melhor suco de "elder-flower" ou em portugues, flor do sabugueiro... (sabugueiro... rôla... ts ts ts)

Eu fazia comida japonesa e ela cozinhava comidas típicas da Áustria, que troca interessante, não?

Enfim, resolvi fazer um dos vídeos na Áustria quando fomos para Carinthia, em um parque que eu nem vou me arriscar a soletrar, vocês virão no vídeo, o tamanho do palavrão.

Espero que gostem:
Depois de uma encantadora passagem com a Lisa pela Áustria, chegou a hora de dar tchau, e ir para a Eslovênia, país que decidiu a minha viagem. 

Meu destino era Bled. Misha ficou de me encontrar na estação de trem, depois de 40 minutos de trem cortando os Alpes, chego a uma cidadezinha minúscula, e toda jeitosa.

Lá estava Misha com o carro de sua mãe, toda atrapalhada e cheia de flores no cabelo.
Trabalhei com a Misha no Rhapsody of the Seas e passeávamos pelo Alaska (WOW), a nossa equipe foi a mais unida em que eu trabalhei, todos trabalhando como um time, ou melhor uma família. Não havia melhor nem pior, éramos os melhores juntos! Eu, Ibby, Patricia, Rina e Misha... Saudades...

E lá estava a poeta, cantora, bailarina, linda, Misha.
Entramos no carro e fomos direto a Bled, lugar mágico assim como na foto. 

Um lago com uma pequena ilha no meio, dentro desta ilha uma capela, ao lado do lago num pico um castelo, tudo isso rodeado de verde.
Vejam a foto que EU tirei com o meu celular:

Já instalados no hostel, no qual ficaríamos por 3 dias, fomos ao castelo, de lá tive uma visão maravilhosa do entardecer do lago. Tudo parecia um quadro, não me parecia real.

Mas sim, era tudo mais que real e melhor em cores e ao vivo. O tempo não estava limpo, o que deu um toque charmoso àquela cidade. 

Fomos a um café e ela me apresentou o que eu chamo de "perfeição", a Kremšnite (Cremixita). Uma massa folhada polvilhada com açúcar recheada com creme de baunilha e chantilly, coisa dos Deuses. Eu devo ter comido uns 10 pedaços durante minha viagem, e não vejo a hora de voltar para comer novamente. Sim sou gordo mesmo!!!

Depois de me entuchar de Kremšnite, resolvemos queimar calorias, alugamos um barco a remo e fomos remar pelo lago, fomos até a igrejinha no lá no meio, parecia tão perto, mas que lugar longe quando se vai remando...

Os dias passaram voando, entre um café, 5 Kremšnite, e uma taça de vinho, saimos de Bled, e fomos à capital da Eslovênia, Lubljana (Lubliana). 
Em tamanho, é comparável a Campinas, grande, porém pequena, com um castelo imenso e um rio cortando a cidade, Lubljana se mostra muito charmosa e com muita ente bonita.
Assim como a Lisa, Misha resolveu me levar para passear e conhecer o país inteiro, que não deve ser maior que o estado do Rio de Janeiro. 
Conheci o lindo litoral (único) chamado Piran. Lá almoçamos e nos divertimos pela cidade com uma pitada italiana, já pertenceu à Áustria, Itália e após a 2ª Guerra Mundial passou a ser de propriedade da Eslovênia (nossa fui fundo)...

Enfim, é lindo e gostoso de passear por lá.

Resolvemos fazer um vídeo num Castelo muito charmoso com um nome bem difícil de se soletrar também...

O vídeo começa com eu e a Misha no carro, a Misha como toda mulher que se presa, não presta tanto atenção no trânsito, mas eu voltei vivo para contar a história que vivi nestes 20 dias de Europa.

Espero que também gostem ;)

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A VIDA NO OASIS OF THE SEAS


CABINE DE CONTROLE
CADEIRA DO COMANDANTE
Quando recebi o convite de trabalhar no maior navio do mundo, confesso que fiquei um pouco assustado, afinal era O MAIOR!
Pensei em recusar o convite, mas ainda estava em meu terceiro contrato, e a essa altura, recusar não é a melhor das coisas a fazer.
Conversei com meu "activities manager" que já havia feito um contrato no Allure, que é exatamente uma cópia do Oasis, navio que me havia sido oferecido. Ele me explicou como funcionava a cidade flutuante, me encorajou a aceitar o contrato e assim o fiz.

Durante minhas férias pesquisei muito sobre o navio, fiquei simplesmente encantado por pela mistura de tecnologia, conforto e luxo. Mas será que para nós, tripulantes, isso também se repetiria?
Eu sou um amante da minha profissão, não preciso muito de luxo para estar feliz, mas não ficaria nem um pouquinho chateado se isso realmente se repetisse a área da tripulação.
CREW GYM

Dito e feito, ao chegar, já vi que o navio tinha de tudo e mais um pouco.
CREW BAR
refeitório bem completo, que se assemelha com o Windjammer, local que os passageiros comem, academia mais que completa, sala de jogos, três bares, biblioteca, lan house, enfim, muito bom. Temos tudo isso em outros navios, mas no maior do mundo, a escala é proporcional e muito mais requintado.

Agora, como seria o trabalho?!? Também acompanha o tamanho, tudo é muito grandioso, atividades sempre cheias, porém muitos trabalhos secundários também. 

Mas a carga horária de trabalho era quase que semelhante aos outros, apesar de ter fama de ter muito mais trabalho.
CRUISE STAFF TEAM

Somos todos animadores, e nos trabalhos secundários, ficar nas entradas dos teatros, agendar shows, dirigir um bar que sobe e desce ou controlar a multidão faz parte do nosso plano de trabalho.

Eu tive a sorte de ser escolhido como Theme Night Dance Captain, era basicamente responsável pelas aulas de dança e noites temáticas do navio. Isso fazia com que eu não ficasse entediado com as portas e bares flutuantes, hehehehe...

Este vídeo, mostro um pouco de como era meu dia a dia no Oasis, minha cabine, minha maratona diária.

Lá eu dava aulas de salsa, merengue, rumba, latina, cha-cha, Lady Gaga, Michael Jackson, Hair Spray (musical), country, samba e forró, o que a Melissa, antiga Theme Night Dance Captain não me ensinou, tomei aulas particulares com o Youtube, ele é ótimo, por sinal. Além das aulas, era responsável por três noites temáticas, como a festa dos anos 70, Twenty's e Scape, sem contar na assistência ao Activities Manager com a organização das entradas de shows. Além do trabalho como Cruise Staff comum que eram as paradas e apresentar jogos e animações, quando me sobrava tempo.

Espero que gostem!

sábado, 30 de março de 2013

O MAIOR NAVIO DO MUNDO!?!? PARTE 01


Quando me veio a proposta de trabalhar no maior navio do mundo, confesso que fiquei bem assustado, pensei em recusar o contrato, pensei em pedir outro navio, mas deixei a vida me levar, aceitei o contrato (recebemos o próximo contrato em média duas semanas antes de terminar o contrato vigente, podemos aceitar ou finalizar o contrato com a companhia). 





Tive dois meses e meio de férias entre um e outro contrato, malas prontas, bora pra Miami.



Um beijo em todos da família e até daqui 6 meses!




O OASIS OF THE SEAS parte de Ft. Lauderdale - FL., ao chegar em Miami, após fazer check in no hotel, fui fazer umas compras, e ali descobri que 99% das pessoas que eu encontrei, falavam espanhol. Sim, são cubanos naturalizados americanos que estão por toda parte. Depois de 3 meses falando japonês todos os dias, pensei que seria minha chance de relembrar o inglês, diria que deu pra treinar o meu espanhol por lá... E olha lá! ehehehehe



7 horas da manhã do outro dia e eu e meu macaquinho já estava acordado, de café da manhã tomado e esperando o ônibus que me levaria para o porto. 

Não conhecia ninguém da equipe que aguardava pelo mesmo comigo. Não conversei com ninguém, fiquei só analisando cada um deles. Sou um ser tímido ao primeiro contato, acreditem ou não.


Escutei pessoas falando em português, um rapaz e uma garota, Jardel e Fernanda, ambos Guest Service, puxei um papo rápido com os dois, mas eles "bufaram" pra mim, a Fernanda estava embarcando no Oasis pela primeira vez, já o Jardel era veterano do gigante. Ele estava tirando todas as dúvidas dela, que eram MUITAS. Quem dera eu ter alguém do meu setor para tirar dúvidas...
Os dois não pararam de conversar os 40 minutos de trajeto de Miami a Ft. Lauderdale. 

De longe avistamos o navio, sim ele se destacava dos outros que estavam ao seu redor. Meuuuu, era grande!

Passamos pela segurança do porto, demos os documentos, tiramos foto para o crachá, e direto a uma sala de espera ainda no porto. (procedimento padrão que muitas vezes acontece dentro do navio)

Nessa salinha esperei por mais ou menos uma hora, chega a Julie, uma inglesa que conhecia muito bem o navio, ela me passou o que seria meu contrato, exatamente com essas palavras.
- Você veio pra ser Cruise Staff? Você gosta de apresentar game shows, trivias, falar no microfone? Eu disse: - sim, essa é nossa profissão, não é? Pois é, aqui você faz muito "doors" (trabalho de porteiro nas entradas de shows), "doors", "doors" e se sobra tempo um trivia por semana. É bem diferente dos navios pequenos. 
Daí em diante ela continuou falando mas eu entrei no meu mundo "autista" via a boca dela mexendo e imaginando o que seria do meu contrato!!!

Bem, um dos gerentes da divisão de cruzeiro chegou para buscar a gente e levar para o nosso gerente. Éramos em 3, Eu, Julie e Krysten, uma americana que faria parte da equipe dos DramWorks. 
Patrício, meu gerente era um brasileiro de cabelos negros, aparentemente gente boa, que a princípio só falava inglês, por conta disso demorou para eu reconhecê-lo como brasileiro. A Julie conhecia o navio como a palma da mão dela, por isso foi sozinha para sua cabine, fomos deixar a Krysten em sua cabine e após levá-la, ele começou a falar em português comigo, levei um susto, nessa hora relaxei. O cara era uma das pessoas mais educadas com quem eu trabalhei até hoje.
O Patrício me deixou no meu quarto, me avisou a respeito do primeiro treinamento que eu teria, e disse para eu me organizar, que depois do almoço ele me ligaria para darmos uma volta pelo navio. 
Larguei minhas malas no meio da cabine e imediatamente fui andar pelo tal gigante em busca de uma pessoa. Lisa, uma austríaca que havia conhecido no meu primeiro contrato e que estaria trabalhando lá, mal eu sabia que encontrar uma pessoa dentro daquele navio, era como "encontrar uma agulha num palheiro", sorte ou não, a primeira pessoa com quem me deparo foi ela, saindo do refeitório e andando pela I-95 (rua principal que liga a proa até a popa do navio, presente em todos os navios da Royal Caribbean).


Lógico que o tour pelo navio foi com a Lisa, ela me mostrou todos os cantos do navio, confesso que não lembro de nada que ela me mostrou, aliás só fui me localizar no navio por volta de um mês depois trabalhando, mas tudo era muito limpo, perfeito e parecia sensacional. Pedi a ela que me levasse a minha cabine, porque não fazia idéia de onde era, e o Patrício havia ficado de me ligar. 
Outra grande surpresa, Lisa era minha vizinha.

Sempre que tínhamos tempo, ficávamos conversando até 2 ou 3 da madrugada sentados desse jeito no corredor.

Primeiro semana de trabalho, basicamente foi banhada de treinamentos e tentando conhecer o navio que tem 7 bairros. Sim, é tão grande que foi dividido em bairros para ser mais fácil de se locomover. 



Logo, Melissa, a "Theme Night Captain" (TNC), pessoa responsável pelas noites temáticas e danças no navio, me perguntou se eu gostaria de assumir a posição dela, já que ela sairia em breve.
Seria um tipo de trabalho extra, você exerce uma função e recebe por isso. Eu achei muito interessante, principalmente por ter direito a uma cabine só pra mim, minúscula, porém minha.
Aceitei o convite e ela começou a me treinar para a posição. 
O trabalho como TNC era totalmente o oposto do que a Julie havia me dito a respeito do Oasis, resumia-se em aulas de dança, e festas... WOW, isso seria sensacional.

Estava em minha primeira semana de contrato, a equipe era sensacional, formada por 10 integrantes mais o DJ, era um time mais experiente e unido. 

Comecei a realmente trabalhar no maior navio do mundo, a Melissa começou a me passar a parte burocrática do TNC, e eu comecei a desconstruir o monstro que havia criado em minha mente a respeito do Oasis...

Quando num belo dia, o Diretor de Cruzeiro do Legend of the Seas, último navio em que trabalhei na temporada asiática, passou a me escrever dizendo que eu teria que voltar ao à Ásia. Fiquei bem confuso, agora que estava me acostumando com aquela loucura, teria que ir ao Japão?!? Maravilhoso, porque eu viria todos meus amigos, no melhor navio que já havia trabalhado, mas um pouco triste ter que deixar aquela turma que me acolheu tão bem... 
Fui direto ao escritório falar com o Patrício, ele me informou que sabia de nada a esse respeito, escreveu para a agendadora, tampouco ela sabia. Mas "Dan", o Diretor de Cruzeiro do Legend, me escrevia todos os dias como que se fosse certo, quando no final de semana veio a confirmação do meu novo destino. no meio do próximo cruzeiro eu partiria em direção a Tóquio. 
O time ficou bem chateado, pelo menos é o que eles me mostraram, hehehehehe, eu comecei a fazer as malas, mas para ter certeza que eu voltaria deixei uma mala cheia no Oasis, assim, eu teria certeza de que voltaria. Afinal a temporada japonesa não passava de duas semanas. levei a menor mala possível,, só com meus uniformes, uma calça jeans, duas bermudas e duas camisetas. (que por sinal, é o que necessitamos durante um contrato inteiro de 6 meses, eu até reduziria a uma bermuda).

Desci em St. Thomas e fui num vôo quase que direto a Tóquio. cheguei no Japão às duas da tarde, e o navio partiria às quatro... em duas horas depois que o avião aterrissou, acreditem ou não, eu estava no navio.

A sensação foi a melhor que já senti, desde a segurança do porto, até a do navio, todos eles me dando boas vindas ao pequeno e aconchegante Legend. 
Eu estava de volta a Yokohama, cidade em que eu cresci e tive os melhores momentos de minha vida. 


Ao entrar no navio, não tive tempo nem tempo de ir ao meu quarto para deixar as malas, encontrei meu uniforme, e fui direto ao trabalho, onde me troquei? No "backstage do Anchor's Away Lounge" e fui direto ao "Sail Away party". Foi lá que encontrei Jung, Linda, e todos os outros Cruise Staff...


Esse pequeno contrato foi sensacional, no âmbito profissional e pessoal.
Foi uma pequena temporada que hoje posso dizer, exite um Flavio antes e depois do Legend of the Seas parte 2!



quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mudanças, novo cargo, novo navio... Despedidas, choros e saudades... De Mariner (E.U.A.) para Legend (Japão)

(texto escrito há um tempinho atras que eu esqueci de publicar!)

Há 3 semanas atrás, um amigo meu comentou a respeito de uma vaga que a Royal havia aberto para Cruise Staff que falam mais de uma língua. A vaga era para International Activities Manager. É um tipo de Gerente de Atividades em outra língua diferente do inglês.

Para o cargo os requisitos eram: falar inglês e mais outra língua, ser Cruise Staff ou DJ, ter mais que um contrato completo, etc.

Eu me interessei pela vaga, porém esse era o meu primeiro contrato, mesmo assim enviei o meu currículo com uma carta de interesse pela vaga, 3 dias depois da data de entrega… (como sempre atrasado e com esperança)

Eles me responderam imediatamente que as vagas já haviam sido preenchidas e agradecendo pelo meu interesse. 

Fiquei muito feliz por ao menos eles terem respondido à minha solicitação e nem um pouco triste com o resultado, afinal, eu nem preenchia os requisitos que eles exigiam. Enfim, foi um tiro no escuro que houve uma pequena repercussão.

Continuei o meu trabalho normalmente e empolgado com o fim do meu contrato após o transatlântico para a Itália. Comecei a contatar meus amigos da Europa dizendo que eu iria perder o vôo de volta para o Brasil e passar duas semanas pelo continente. Avisei minha família, estava tudo programado.

Porém, semana passada, meu Activities Manager (AM) me ligou pedindo que eu me retirasse do ponto de vista dos passageiros porque ele havia uma conversa séria comigo, eu fui ao fundo do palco, já que eu estava no Teatro, e ele me disse:
- Amanhã você terá às 7 da manhã uma conferência entre Singapura e Miami, eles querem que você trabalhe como International Host num navio na Ásia. (International Host é o cara que fica atrás do Diretor de Cruzeiro traduzindo tudo o que ele fala e que comanda atividades em línguas estrangeiras)

Na hora pensei nas minhas férias na Europa bancada pela Royal Caribbean, e retruquei na hora:
- Como assim, semana que vem eu entro de férias, eles estão doidos?

Ele respondeu:
- Não sei o que eles querem, mas se você não quiser a vaga, finja que você não entende japonês.

Eu disse a ele que tudo bem e que falaria com ele mais tarde… Voltei meio que puto pro trabalho… He he he he, eu estava tão empolgado com minha viagem que nem pensei no que acabara de ser proposto, até havia me esquecido do currículo que eu havia mandado pra Miami… 

Enfim, no outro dia, às 7 da manhã, estava eu lá no escritório com meu AM em uma conferência com Miami e Singapura. 

O cara do escritório de Miami, me introduziu aos responsáveis pelas contratações na Ásia e eles começaram a falar num inglês com sotaque típico japonês, na primeira pergunta eu respondi em japonês, e eles me responderam surpresos: 
- O que? Pode ser em japonês?

Começamos a conversar e eles perguntaram o que eu fazia no Mariner of the Seas, navio em que eu me encontrava, eu respondi:
- Sou o tiozinho que fala no microfone!

Eles começaram a rir e a conversa ficou bem informal, perguntaram de minha família o que eu fazia antes de vir pro navio, se eu gostava do que eu havia fazendo e não economizaram elogios ao meu japonês. E por fim, minha idade, eles acharam que eu fosse um tiozinho mesmo, quando disse, eles disseram:
- vc é um menino! Que bom, gente jovem é sempre muito bem vinda!!!

Eles me disseram que a empresa Royal Caribbean só tem 2 Cruise Staff que falam japonês, eu e uma outra menina… (Nossa, tô importante!!!) E que a partir deste mês, por 7 semanas o Legend of the Seas iniciaria sua temporada no Japão.

Quando eles falaram a respeito dos passageiros japoneses que são muito "chatos" e " reclamões", eu disse a eles:
- Tenho em média 3000 passageiros texanos com uma média de idade de 60 anos toda semana, vocês acham que eu não vou dar conta do recado? Passageiro é passageiro em qualquer lugar e os Texanos só tinham fama, porque eu os amo!!! São os mais carinhosos que já tive! Será que não consigo o mesmo com os japoneses também?

Eles riram e concordaram.

Ao finalizar a conferência o escritório de Miami me agradeceu e me disse para começar a empacotar minhas coisas. FUDEU!!!

Há 2 dias atrás eu tinha minhas férias planejadas, agora, fiquei sabendo que em dois dias estarei no Japão por mais 2 meses de contrato. Em uma nova posição, nova tripulação, novo barco, novas funções. Comecei a ficar com um aperto no coração, afinal de contas, havia passado os últimos 6 meses com meus colegas/família/amigos/tripulantes, enfim, tudo junto e bagunçado, e agora tenho que me despedir deles e talvez nunca mais encontrá-los. Isso é FODA! 

Essa é a parte ruim do navio, você conhece pessoas maravilhosas que passam 24 horas por dia com você e um dia, de repente, você tem que se despedir e talvez nunca mais encontrá-lo novamente…

No dia em que eu fiquei sabendo que eu seria transferido, eu fui assistir à última apresentação do meu TWIN Paul.

Ele seria transferido no dia seguinte para um outro navio.
Nós éramos os únicos de rosto asiático no navio e por isso muito confundido. Pessoas me paravam após o show de patinagem no gelo e diziam: - Você estava sensacional no gelo!!! - e eu sempre me explicando, não, é o Paul, meu irmão... O mesmo acontecia com ele quando ele caminhava pelo navio...


Ao voltar da apresentação, eu cheguei para fazer o TRIVIA, jogo de perguntas e respostas, e claro, estava chocado com a última apresentação do meu quase irmão gêmeo e pela notícia que deixaria o navio naquele cruzeiro...
Cheguei, cumprimentei os passageiros e logo vieram as perguntas... - o que aconteceu? / Por que você está assim?...
Eu fui tentar explicar, não deu outra, eu e eles, todos juntos chorando durante uma atividade que eles deveriam estar sorrindo! Pareceu a minha despedida! 

*** Durante um cruzeiro, Existem passageiros que sempre voltam e viram amigos seus, outros que se identificaram bastante com você e vêm para suas atividades só para conversarem com você... Existe um laço de afetividade. 
Eu os trato como se eles fossem da minha família! Como eu gostaria que minha mãe, minha vó ou minha irmã fossem tratadas. E isso dá bem certo! 
A recompensa são essas imagens inesquecíveis em minha vida e quem sabe até na deles!!!

    
Isso é apenas inesquecível! Lembro de cada momento desse! Momentos que ficarão guardados na minha lembrança!

Bem chegou o dia da partida, festa de despedida, choros e mais choros, foi muito difícil me despedir dos meus amigos (família a bordo).
Essa é a minha turma! 
Mariner of the Seas 2011

Esquerda para a direita:

David, o mais velho da turma, estava em seu último contrato.

Steve (Activities Manager), o meu companheiro para todas as horas, me ensinou muita coisa e foi o cara responsável pela minha transferência ter dado certo.

Jimena, a mais nova da turma, porém uma das mais experientes na empresa, minha amiga e cupido latina! Com ela aprendi muito sobre o meu trabalho. Sempre me deu muitas dicas.

Katie, não tenho palavras para descrever essa menina, ela foi a pessoa que eu mais chorei ao me despedir ela era minha irmã, contávamos piada juntos, ela era meu "talking schedule" hehehehe eu não sabia o meu horário e quando eu me perdia, sempre ligava para ela.
Até hoje, como nós dois estamos de férias no momento converso com ela quase que diariamente. Eu a amo!!!

Lee, noivo de Katie, o cara era o mais doido da turma, meu outro irmão. Ele me ensinou as melhores palavras em inglês! Apesar de a Katie sempre ter tido a maior paciência de falar devagar quando eu não entendia as coisas. Ele era o meu companheiro também de perna de pau (Stilts)!
_______________________

Alguns amigos também desembarcaram junto comigo e fomos direto ao aeroporto, meu destino era Hokkaido - Japão.

Detalhe que eu estava saindo de um cruzeiro do Caribe para outro na Ásia, e pra quem não conhece Hokkaido, é o lugar mais frio do Japão. 

Minhas roupas eram todas para o calor do Caribe...
Ao chegar no Japão, a organização japonesa me surpreendeu, tinha pessoa me esperando em cada ponto do aeroporto, me direcionando para o navio!

Cheguei no Legend of the Seas, um navio visivelmente pequeno e um pouquinho mais "idoso" que o Mariner.
No início fiquei bem pensativo e observando tudo, eles não esperavam que eu chegasse direto do aeroporto para o navio, estavam me aguardando para o dia seguinte...

Após passar pela segurança, conheci meu novo Act. Manager (Sunny, um indiano) e fui à sala de Recursos Humanos do navio, recebi minha chave e fui direto para a minha nova cabine.

A cabine estava completamente organizada e limpa! Me assustei, porque eu sou uma pessoa um tanto perdida para viver nessas cabines pequenas... Porém um pouco maior que a cabine do Mariner... Minha cabine era a 4221 e meu companheiro de quarto era o Simone, um dançarino italiano!

Ele não estava lá, como era de costume, sempre estava ensaiando ou na cabine dos seus colegas de trabalho. 
O Simone é um cara muito educado com quem eu me dei muito bem...

Depois de deixar minhas coisas fui conhecendo um a um dos meus próximos companheiros... 

que serão personagens da minha próxima postagem. O que posso dizer pra vocês a respeito da minha nova casa, é que foi tão bom quanto. Diria SENSACIONAL e muito diferente do que eu havia visto no navio anterior.

Nos navios pequenos as pessoas (toda a tripulação) são mais próximos, e 90% da tripulação era asiática. Se no outro navio eu era um dos únicos, aqui eu sou apenas mais um... hehehehe

Mas deixa que isso eu conto na próxima...

Fui!